Conjuntura Pandemia afunda PIB em 2,4% no primeiro trimestre

Pandemia afunda PIB em 2,4% no primeiro trimestre

A economia portuguesa enfrenta uma recessão histórica, por causa das medidas de confinamento para conter a pandemia de covid-19. Face ao final de 2019, a travagem é de 3,9%, a maior desde pelo menos 2007.
Pandemia afunda PIB em 2,4% no primeiro trimestre
António Cotrim
Margarida Peixoto 15 de maio de 2020 às 09:33
A economia portuguesa registou um trambolhão de 2,4% no primeiro trimestre do ano, que só contou com um mês (março) de efeito da pandemia de covid-19. Face ao final do ano passado, a contração foi de 3,9%, a maior queda trimestral desde pelo menos 2007, revelou esta sexta-feira o Instituto Nacional de Estatística (INE), na primeira estimativa rápida.

"Refletindo o impacto económico da pandemia a partir de março de 2020, o PIB em Portugal apresentou uma variação homóloga de -2,4% em termos reais, no primeiro trimestre, após o crescimento homólogo de 2,2% no trimestre anterior", sublinha o INE.

O organismo de estatísticas explica que pela primeira vez desde o terceiro trimestre de 2013, a procura interna deu um contributo negativo para a variação do PIB, tendo passado de uma ajuda de 1,1 pontos percentuais nos últimos três meses do ano passado, para uma situação em que tira um ponto percentual à variação do PIB.

Este comportamento justifica-se pela redução do consumo privado e do investimento – o consumo público aumentou, mas não foi o suficiente para compensar.

Olhando para a procura externa líquida, que resulta do contributo das exportações (que somam ao PIB), menos o das importações (que reduzem), o efeito foi negativo. A procura externa líquida deu um contributo de -1,4 pontos percentuais para a variação homóloga do PIB. No trimestre anterior o contributo tinha sido positivo, em 1,1 pontos percentuais.

A explicar este resultado está uma contração de 5,1% das exportações, acompanhada por uma redução menor das importações, que caíram 1,8%. "Esta diferença de comportamentos é sobretudo consequência da contração da atividade turística na evolução das exportações de serviços", explica o INE.

Comparando com a média da zona euro, a economia portuguesa caiu menos em termos homólogos. O conjunto dos países da moeda única registou uma redução de 3,2% do PIB, e a União Europeia de 2,6%.

Porém, na comparação trimestre a trimestre, a queda do PIB portuguesa foi superior. Depois de um crescimento de 0,7% nos últimos três meses de 2019, a contração no arranque deste ano foi a maior, pelo menos, em 13 anos. Comparando com a média da zona euro, cujo PIB encolheu 3,8%, a queda da economia portuguesa foi maior, mas a dos países da moeda única impressiona mais, por ter sido a mais violenta desde que há registos (1995).

Face ao final de 2019, o INE dá conta de uma contração de 7,3% das exportações e de 2,9% nas importações. O resultado foi num contributo negativo, em 2 pontos percentuais, da procura externa líquida. A procura interna registou um contributo negativo mais acentuado, passando de -0,7 pontos no 4º trimestre para -1,9 pontos percentuais.

(Notícia atualizada às 10:56)



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