Política Poiares Maduro diz que António Costa colocou "fasquia muito baixa" na economia

Poiares Maduro diz que António Costa colocou "fasquia muito baixa" na economia

O ex-ministro Miguel Poiares Maduro disse hoje que o primeiro-ministro, António Costa, colocou a "fasquia muito baixa" apresentando como um "enorme sucesso económico" tudo o que não é um segundo resgate financeiro.
Poiares Maduro diz que António Costa colocou "fasquia muito baixa" na economia
Miguel Baltazar
Lusa 04 de março de 2017 às 17:45

"O dr. António Costa tem um mérito político que infelizmente tem um custo grande para o país, que é aquele de ter conseguido colocar a fasquia tão baixa, que tudo aquilo que não seja um segundo resgate é apresentado como um enorme sucesso económico", disse à agência Lusa à margem de palestras para alunos de Direito em Macau e Hong Kong.

 

Esta semana, o Governo disse que a revisão em alta do crescimento económico no quarto trimestre de 2016 está "ancorada em sinais positivos para o futuro" e que reforçam a convicção de que o PIB irá crescer 1,5% este ano.

 

Para Poiares Maduro, Portugal, um país que saiu de um programa de ajustamento e "que tinha iniciado a recuperação económica", devia ter crescido "muito mais" do que o que cresceu no último ano.

 

"Devíamos ter recuperado o investimento muito mais do que recuperámos, mas em vez de [se] falar disso, o que se fala, basicamente, é da circunstância de o país não ter um segundo resgate e, pobre de Portugal, se nós nos satisfazemos com não repetir a circunstância que tivemos em 2011", disse.

 

O ex-ministro Adjunto e do Desenvolvimento Regional do Governo do PSD/CDS-PP liderado por Passos Coelho argumentou que antes de o país chegar ao resgate financeiro de 2011 passou por "uma década de estagnação económica".

 

"Tivemos uma desgraça em 2011, mas antes disso já estávamos muito mal, e infelizmente acho que estamos a regressar a esse caminho", disse.

 

Questionado sobre se o Governo tem condições para chegar ao fim do mandato, Poiares Maduro afirmou que a política do executivo é "dirigida ao curto prazo", que "há, por parte do atual primeiro-ministro, o desejo de ter eleições mais cedo, não mais tarde" e que a atual solução governamental "é sobretudo um acordo de oportunidade política" que parece "ter-se esgotado".

 

"Agora, o dr. António Costa, reconheço, tem demonstrado uma grande capacidade de gestão política e de habilidade política no curto prazo, que lhe permite ir sobrevivendo politicamente", afirmou, apontando que há "um custo para o país", por "não fazer um conjunto adicional de reformas que era importante serem feitas" e "estar a reverter reformas importantes que tinham sido iniciadas".

 

"Mas não consigo antecipar com certeza se vai ou não sobreviver, depende no fundo de equilíbrio entre estes dois lados", acrescentou.

 

 




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