Europa Polícia usa gás lacrimogéneo e canhões de água para afastar refugiados na Hungria

Polícia usa gás lacrimogéneo e canhões de água para afastar refugiados na Hungria

Aos protestos dos refugiados na fronteira entre a Hungria e a Sérvia, a polícia respondeu com gás lacrimogéneo e canhões de água. O Governo húngaro acusou os refugiados de estarem "armados" e de terem tentado atravessar as barreiras colocadas na fronteira.
David Santiago 16 de setembro de 2015 às 15:22

A polícia húngara está a recorrer a gás lacrimogéneo e canhões de água para responder aos protestos de refugiados que tentam atravessar a fronteira entre a Sérvia e a Hungria, mais precisamente junto ao ponto fronteiriço de Roszke, o principal ponto de passagem migratório entre os dois países. A notícia inicialmente avançada pela Reuters, que cita um repórter no local, bem como um responsável das Nações Unidas, está também a ser corroborada por órgãos de comunicação social como os britânicos Guardian e BBC.

É já o segundo dia consecutivo em que os refugiados se vêem impossibilitados de chegar a solo húngaro, isto depois de Budapeste ter concluído a construção de um muro de betão e arame farpado ao longo da fronteira com a Sérvia. De acordo com a Reuters, foram mobilizadas centenas de homens da polícia para o local, incluindo as forças de intervenção anti-terrorista e veículos blindados. O Guardian adianta que já haverá pelo menos seis tanques de guerra no local. As últimas informações recolhidas por este jornal britânico dão conta de que a Hungria já terá avisado Belgrado de que a fronteira entre os dois países irá permanecer encerrada, pelo menos, durante os próximos 30 dias.

A agência France Presse, citada pela Lusa, refere que "a multidão do lado sérvio tornou-se agressiva, lançou pedras, garrafas e paus contra a polícia do lado húngaro e passou a barreira na fronteira". Entretanto, a polícia húngara emitiu um comunicado em que acusa os refugiados e migrantes de conduta "agressiva" e de desrespeito da ordem pública ao tentarem ultrapassar as barreiras físicas colocadas naquela fronteira. No entanto, fonte das Nações Unidas no local, citada pela referida agência noticiosa, garante não ter visto nenhum refugiado ou migrante atravessar de facto as barreiras. Pelo seu lado, o Governo da Hungria acusou os refugiados de estarem "armados com canos e paus". Um correspondeste da BBC já confirmou que os migrantes atiraram pedras e paus contra as autoridades húngaras.

Desde que ao final do dia de segunda-feira a Hungria encerrou a fronteira com a Sérvia, a que se seguiu, ontem, a entrada em vigor de uma lei que criminaliza o acto de atravessar ilegalmente a fronteira húngara, vários milhares de migrantes permanecem no lado sérvio da fronteira com a Hungria. 

O que levou ao reorientar do fluxo migratório da Sérvia para a Croácia. Segundo a imprensa internacional, nas últimas horas terão sido pelo menos 300 migrantes e refugiados a chegar a território croata, a maioria dos quais na cidade sérvia de Sid, junto à Croácia. O primeiro-ministro croata, Zoran Milanovic, já criticou aquilo que classificou de "terrível mensagem" que está a ser transmitida pelas autoridades de Budapeste. O ministério do Interior da Croácia revelou ter enviado autocarros para a fronteira croata com a Sérvia de forma a transportar os migrantes para um centro de registo.


A Eslovénia reagiu também aos acontecimentos introduzindo o controlo fronteiriço junta à fronteira com a Hungria, uma medida idêntica à adoptada, nos últimos dias, por países como a Alemanha, a Áustria ou até mesmo a Holanda. Também a Eslovénia faz fronteira com a Áustria, o último país antes do objectivo final de muitos dos migrantes e refugiados que pretendem chegar à Alemanha. Grande parte do fluxo de refugiados proveniente dos Balcãs, que chega a solo europeu através da Turquia, passando depois pela Grécia, Macedónia e Sérvia, adoptava a rota Hungria-Áustria-Alemanha para alcançar território germânico.

Levando em linha de conta a gravidade dos últimos acontecimentos, o Conselho de Segurança das Nações Unidas (ONU) poderá reunir-se em reunião extraordinária já na próxima semana para debater as crises migratória e de refugiados que assolam a Europa, avança a agência de notícia RIA.

(Notícia actualizada às 16h17)




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