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Pôr a esquerda e a direita a dialogar é a “utopiazinha” de Marcelo Rebelo de Sousa

O Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, confessou este domingo ter a “utopiazinha” de pôr a esquerda e a direita a dialogar e criticou a falta de diálogo e o desconhecimento entre os vários quadrantes da vida nacional.

Rui Ochoa/Presidência da República
Lusa 02 de Outubro de 2016 às 22:31
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"Uma utopiazinha pequenina era, na altura em que eu tomei posse [como Presidente da República], eu dizer que era possível distender a sociedade portuguesa e pôr a falar a direita com a esquerda, as várias direitas entre si, as várias esquerdas entre si e as várias esquerdas com as várias direitas", afirmou Marcelo Rebelo de Sousa.

"É uma utopiazinha, mas acho que é uma boa utopia", acrescentou o Presidente, sublinhando a importância de "as pessoas falarem mais", para se conhecerem, porque "se não se falarem nem sequer se conhecem".


Uma utopia que levou este domingo, 2 de Outubro, Marcelo Rebelo de Sousa a "transigir um bocadinho na correcção" e a criticar "os vários quadrantes da vida nacional" que, quando ouve falar, lhe deixam "a noção exacta de que se desconhecem".


A sensação do Presidente da República é que "se perguntasse o que pensa que vai na cabeça daquele ou daquela responsável" a probabilidade de "não acertarem uns em relação aos outros, provavelmente é muito elevada, por falta de diálogo e falta de conhecimento, independentemente de concordância ou discordância".


A utopia de Marcelo Rebelo de Sousa foi partilhada em Óbidos, onde o Presidente fez hoje uma visita surpresa ao Folio – Festival Literário Internacional de Óbidos, numa reviravolta de agenda, já que na sexta tinha desmarcado a sua participação no encerramento do festival.


Na sua segunda visita ao festival, onde já tinha estado na quarta-feira, o Presidente reafirmou as ideias que já nessa ocasião tinha partilhado sobre "utopia", tema desta edição.


Num registo bem-disposto Marcelo respondeu às perguntas e apelos do público, que versaram desde os pedidos para "tirar uma selfie" com o Presidente, aos motivos que o levaram a vetar a lei do sigilo bancário ou situação política do Brasil.


Remetendo a selfie para o final da sessão para não ser acusado de "empobrecimento populista da democracia" o chefe de Estado reafirmou o argumento da "inoportunidade" para vetar a lei e contornou a questão do Brasil defendendo que "os Governos passam", e aquele será "o último país a deixar morrer a utopia".


Numa sessão com lugar a elogios ao Ex-Presidente da República Jorge Sampaio [sobre a proposta de solução para os refugiados estudantes universitários], ou ao fotojornalista da Lusa, Mário Cruz [pela edição de um livro sobre as crianças talibés escravizadas], Marcelo Rebelo de Sousa incentivou à utopia, individual e colectiva e, no final do debate, sugeriu mesmo um tema para a próxima edição do Folio.


"Sugiro Revolução, porque se comemoram os 100 anos sobre a revolução soviética que marcou o seculo XX", disse Marcelo, arriscando ser considerado "um pouco provocatório, que um Presidente da República sugira uma revolução".


A visita de Marcelo Rebelo de Sousa marcou o encerramento da segunda edição do Folio que desde 22 de Setembro celebrou em Óbidos os 500 anos da ‘Utopia’ de Thomas More, o Ano Internacional do Entendimento Global, o centenário do nascimento de Vergílio Ferreira, os 500 anos da morte do pintor Hieronymus Bosch e os 400 da morte dos clássicos William Shakespeare e Miguel de Cervantes.

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