Política Portas diz que “eleições conduziriam a um segundo resgate”

Portas diz que “eleições conduziriam a um segundo resgate”

“Os portugueses já sofrerem demais. Seria profundamente injusto deitar a perder os sacrifícios e iludir” os portugueses, afirma Paulo Portas durante o debate marcado pela moção de censura apresentada pelo PS ao Governo. “Precisamos de soluções” e não de moções", sublinhou.
Portas diz que “eleições conduziriam a um segundo resgate”
Sara Antunes 03 de abril de 2013 às 19:27

O ministro de Estado e dos Negócios Estrangeiros considera que “há moções e moções” e que a apresentada esta quarta-feira pelo Partido Socialista “obriga a analisar em toda a sua profundidade” e identifica “cinco fragilidades” desta moção.

 

Paulo Portas considera o momento “um erro” já que este mês “Portugal, como país, tem uma negociação para concluir”. Uma negociação que é “vital” já que passa pelo alargamento dos prazos de vencimento dos reembolsos dos empréstimos concedidos a Portugal. É algo “essencial para o país, para o Estado, para as empresas e famílias”, a quem “devemos uma negociação que termine bem.”

 

“Se a moção passasse, como é suposto”, quando é apresentada por um partido com a expressão do PS, isso deixaria “Portugal sem Governo” e representaria “perder a única oportunidade” que o país terá para reagendar o calendário de reembolsos.

 

“Acredita o PS que os credores dariam confiança sem um Governo em plenitude de poderes?”, realçando que “não estamos a falar de trocos”, e enumerou: para 2015, Portugal terá de reembolsar 16,5 mil milhões de euros, são “quase 20 mil milhões em 2016 e 22 mil milhões em 2021.” O ministro salienta que “suavizar a parcela pública destas parcelas é uma prioridade.” E isto, “não merece uma moção de censura.”

 

A segunda falha desta moção apontada por Paulo Portas está relacionada com a convocação de

Seria profundamente injusto deitar a perder os sacrifícios e iludir os portugueses
 
Paulo Portas

eleições, caso a moção fosse aprovada. “Estando Portugal a cerca de um ano do fim do programa, tendo os portugueses feito sacrifícios, está o maior partido da oposição consciente que eleições conduziriam a um segundo programa e a um segundo resgate? Ou seja, seria a mais tempo de protectorado.”

 

Paulo Portas considera ainda que o PS não teria uma alternativa para o país que não cumprir o programa de ajustamento, pelo que estaria a iludir os portugueses. “Se o PS visa a substituição do Governo em eleições deve ter uma alternativa externa e interna. Parece-me que o PS não a tem. E, em boa verdade, seria difícil que a tivesse, acusando Seguro de “dizer cá dentro que acabou a austeridade” e depois “correr ao triunvirato” dizer que cumprirá o ajustamento. “Os portugueses já sofrerem demais. Seria profundamente injusto deitar a perder os sacrifícios e iludir” os portugueses.

 

Paulo Portas explica ainda outras duas falhas da moção de censura. Por um lado é preciso avaliar “em que Europa estamos a navegar”, considerando que “é muito simplista pensar que basta mudar o Governo em Portugal e, por magia, a Europa dá mais do que já conseguimos. Ensina a experiência que há questões em que ser pessimista é ser realista.”

 

A quinta fragilidade é identificada por Paulo Portas quando António José Seguro defende uma “ruptura definida com o Governo”. “A frase é ambiciosa”, considera, “mas, ao mesmo tempo, muito pouco prudente”, já que os portugueses têm o direito “a um grau de responsabilidade elevada.”

 

“Vale a pena não levar longe demais esta ideia de ruptura definitiva. Precisamos mais de soluções do que moções. Evitemos por isso esta teoria porque Portugal merece outra atitude e grandeza dado a sua muito difícil circunstância”, concluiu.




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