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Portas acusa Governo de falhar e Sócrates defende que fez o que devia

Três temas marcaram o debate entre José Sócrates e Paulo Portas: desemprego, segurança e educação. O líder do CDS/PP acusou o Executivo de "falhar económica e socialmente". Já o primeiro-ministro defendeu que o seu Governo fez o que devia fazer "no apoio às empresas, às famílias e aos desempregados".

Negócios negocios@negocios.pt 02 de Setembro de 2009 às 22:57
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Três temas marcaram o debate entre José Sócrates e Paulo Portas: desemprego, segurança e educação. O líder do CDS/PP acusou o Executivo de “falhar económica e socialmente”. Já o primeiro-ministro defendeu que o seu Governo fez o que devia fazer “no apoio às empresas, às famílias e aos desempregados”.


José Sócrates e Paulo Portas protagonizaram o primeiro frente-a-frente das legislativas. Durante quarenta e cinco minutos, Portas e Sócrates debateram a política económica, o desemprego, a segurança e a educação.

A economia foi o primeiro tema do debate, iniciado por Paulo Portas, como responsável pelo CDS/PP defendeu que uma moderação da carga fiscal “gera actividade económica e a actividade económica ajuda a receita”, acrescentando que as receitas ajudam a reduzir desequilíbrio das contas públicas

“A política económica de José Sócrates falhou”, já que “gerou mais desemprego, mais impostos, mais endividamento, mais dependência do exterior, mais injustiça social”.

Quando a crise chegou em força a Portugal, o Governo decretou o fim da crise, e decretou o início do fim da crise um dia antes de ser conhecido que Portugal tinha 500 mil desempregados.

“O que é preciso mudar? Focar a política económica nas PME e não nas grandes obras”, que “consomem o crédito e geram mais endividamento”.

“Há uma última diferença” entre as políticas do Governo e do CDS/PP, salientou Paulo Portas recordando os casos BCP, BPP e BPN. “É preciso mudar a supervisão porque a economia portuguesa não aguenta a sonolência” do actual sistema.

“Fizemos o que devíamos no apoio às famílias, às empresas e aos desempregados”

Sócrates respondeu afirmando que o Governo pôs as contas em dia e quando chegou a crise “fizemos o que devíamos no apoio às famílias, às empresas e aos desempregados”. “E começámos agora a obter resultados”, que “a oposição encara com azedume”.

O primeiro-ministro sublinhou que Portugal foi “um dos primeiros países a sair da recessão” e também onde “os indicadores de confiança têm melhorado muito”, salientando que “as empresas que no final do ano passado entraram em ‘layoff’, voltaram a chamar os seus empregados”, com a Autoeuropa e a Repsol.

Portas considera que “é preciso uma política fiscal diferente/selectiva”, dando como exemplo França e Alemanha, onde Nicolas Sarkozy e Angela Merkel têm como prioridade “uma política fiscal mais baixa que gera receita”. “O que nós temos hoje é um défice altíssimo e um peso fiscal altíssimo”, acusando o Governo de pôr as contas em ordem à conta dos contribuintes.

Sócrates replicou afirmou que quando Portas estava no Governo “agravou o défice das contas públicas”, numa altura em que o mundo não estava em recessão.

O primeiro-ministro salientou que o actual Executivo ajudou “até Agosto 40 mil PME”, comparando com “1.500 em 2004”, ano em que Paulo Portas estava no Governo. “O Sr. não acha excessivo apresentar-se como campeão das PME?”.

No que respeita ao desemprego este “está acrescer em Portugal tal como está a crescer em todos os países do Mundo”. “O desemprego subiu em Portugal menos do que na Europa”, argumentando que o acréscimo em Portugal foi de 1,4%, quando na Europa, em média, foi de 2%.

Sócrates recordou as medidas que o Governo lançou para apoiar os desempregados. Entre elas estão o subsídio social de desemprego e mais jovens estágios profissionais.

Portas acusou Sócrates de ter elevado o prazo mínimo de acesso ao subsídio de desemprego de 180 para 360 dias e criticando a actual política que inibe as pessoas mais velhas, que perdem o direito ao subsídio de desemprego, de passarem para a reforma antecipada.

“O Sr. falhou económica e socialmente”

“O Sr. esteve quatro anos e meio no poder, teve uma maioria absoluta e um Presidente da República cooperante e falhou económica e socialmente”, sublinhou Paulo Portas.

“Até 2008 o emprego estava a crescer. Só depois da crise internacional é que começou a crescer o desemprego”, retorquiu Sócrates

“Nunca tive uma maioria absoluta, nem nunca queria ter”, apontou Portas. O líder do CDS/PP disse que “o rendimento mínimo é insultuoso para quem trabalha”, considerando que deveria haver mais fiscalização. “O rendimento mínimo deve ser transitório e para situações objectivas”, adiantou.

Portas defendeu que mais importante que o rendimento mínimo é apoiar as pensões mínimas, sublinhando que há um milhão e quatrocentas pessoas que recebem pensões baixas.

Sócrates contra-atacou afirmando que o Governo aumentou o salário mínimo em 10%, tiraram 230 mil idosos da pobreza, deram acesso aos medicamentos genéricos aos idosos, abonos pré-natal a partir do terceiro mês, entre outras medidas.

Quanto à Segurança Social, Sócrates defendeu que estas verbas não devem ser aplicadas em bolsa, enquanto Portas defende que os contribuintes devem escolher a forma como constituem poupanças para a reforma.

“As leis aumentaram a intranquilidade”

“Portugal é um País seguro”, garantiu o primeiro-ministro. “Temos mais 700 agentes do em 2004”, acrescentou Sócrates.

Paulo Portas respondeu dizendo que as “leis aumentaram a intranquilidade” e que existiram vários erros na política de segurança.

“Desculpa-se o criminoso e culpa-se a sociedade”, acrescentou o líder o CDS/PP.

“O sucesso [escolar] não vem da facilidade”

Sócrates voltou a enaltecer a escolaridade obrigatória até ao 12º ano, uma medida criticada pelo líder popular. “O Sr. pode estar muito interessado no sucesso estatístico, eu estou interessado no sucesso de cada pessoa”, acusou Portas. “O sucesso não vem da facilidade”, disse.

“A liberdade é relevante. Se cada escola tiver um projecto, autonomia, os pais devem poder escolher”, acrescentou.

Sócrates sublinhou que “demos o nosso melhor para favorecer todos”, ao que Paulo Portas respondeu “isso damos todos”, sugerindo que não é suficiente.

“O Sr. já reparou que tudo é culpa do passado ou do mundo. Assuma lá uma responsabilidadezinha”, acrescentou Portas. “O Sr. arranjou uma guerra na escola”.

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