Economia Portugal tem que deixar de "financiar capitalistas sem capital que compram tudo"

Portugal tem que deixar de "financiar capitalistas sem capital que compram tudo"

O presidente do BPI apelou hoje ao Governo que, na proposta de Orçamento do Estado (OE) para 2010, a apresentar no início do ano, se promova uma mudança de modelo de crescimento económico que tem sido a tradição do país.
Maria João Gago 11 de dezembro de 2009 às 10:59
O presidente do BPI apelou hoje ao Governo que, na proposta de Orçamento do Estado (OE) para 2010, a apresentar no início do ano, se promova uma mudança de modelo de crescimento económico que tem sido a tradição do país.

Entre outras propostas, Fernando Ulrich defendeu que se deve deixar de “alocar recursos a financiar capitalistas sem capital que compram tudo e mais alguma coisa”, numa crítica às decisões do Governo no sentido de apoiar a viabilização de empresas como a Qimonda e a Aerosoles, evitando a sua falência.

“Não vamos poder continuar a viver assim porque o mercado não vai estar lá para nos financiar”, sublinhou o banqueiro, criticando o facto de os diferentes governos terem alocado recursos à construção de infra-estruturas e a bens não transaccionáveis. “Continuaremos a não crescer se insistirmos no mesmo modelo económico. Enterrámos dinheiro”, lamentou.

Ulrich confessou ainda que, num recente encontro com analistas de agências de “rating” internacionais, foi confrontado com a perplexidade desses especialistas relativamente ao facto de a dívida pública crescer sem que haja crescimento económico. Por isso, apelou a que, a prioridade de curto prazo para o Orçamento de 2010 seja “manter a situação sob controlo”. Isto porque, na sua perspectiva, “não podemos deixar degradar o ‘rating’ da República e dos bancos”.

“Temos que fazer uma aposta muito grande na credibilidade financeira de Portugal”, sob pena de “sermos incluídos no grupo da Grécia e da Irlanda”, que já foram alvo de deteriorações das notações de crédito, fruto das respectivas crises económicas. “Temos que mostrar que estamos a resolver o assunto [relativo aos problemas macroeconómicos] e que somos rigorosos”, defendeu Ulrich.

Para o banqueiro, o OE para 2010 deve ainda “fazer um diagnóstico” da verdadeira situação do país, que, devido ao período eleitoral, não é feito “há vários meses”. Ulrich defendeu ainda que o Orçamento deve incluir “uma visão de médio prazo [para o país] com objectivos concretos”.




Marketing Automation certified by E-GOI