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Portugal deve adoptar duras medidas de austeridade para evitar resgate

Portugal só conseguirá reduzir as probabilidades de precisar de um resgate de emergência se adoptar "duras" medidas de austeridade preventivas. A opinião é de Daniel Gros, director do Centro de Estudos Políticos Europeus.

Carla Pedro cpedro@negocios.pt 04 de Maio de 2010 às 16:40
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Portugal só conseguirá reduzir as probabilidades de precisar de um resgate de emergência se adoptar "duras" medidas de austeridade preventivas. A opinião é de Daniel Gros (na foto), director do Centro de Estudos Políticos Europeus.

Segundo este ex-conselheiro da Comissão Europeia no âmbito da união económica e monetária, “é muito provável” que Portugal seja o segundo país da Zona Euro a precisar de ajuda internacional, a seguir à Grécia.

Na sua opinião, Espanha poderá sofrer de problemas de liquidez, mas não de incumprimento, ao passo que Itália está relativamente segura.

O economista, citado pelo “EasthTimes”, afirmou que a situação de Portugal, “de um ponto de vista económico, é igual à da Grécia”.

E diz mais. Para Daniel Gros, “os portugueses irão precisar de algum dinheiro, mais cedo ou mais tarde. Penso que isso é altamente provável”.

O economista, que falou hoje num “briefing” em Bruxelas, mencionou uma estimativa de 100 mil milhões de euros de possível ajuda necessária para Portugal. Um valor fortemente superior ao aludido pela Schroders, que na sexta-feira passada salientou que se Portugal tiver de ser resgatado no próximo mês, o custo total das ajudas deverá rondar os 13 mil milhões de euros este ano.

Daniel Gros sublinhou ainda que a dívida bruta externa de Portugal – um indicador da vulnerabilidade ao incumprimento – atingiu os 226% do PIB no terceiro trimestre de 2009, quando na Grécia essa proporção foi de 167%, em Espanha de 164% e em Itália de 121%.

Sucesso do plano grego é fundamental

Para este economista, Portugal só conseguirá reduzir as probabilidade de precisar de ajuda se adoptar medidas de austeridade “duras” como forma de prevenção. No entanto, acrescentou Gros, citado pelo “EarthTimes”, essas medidas terão pouca credibilidade junto dos mercados se as medidas similares prometidas pela Grécia não forem implementadas devido aos protestos da população. “O êxito do plano grego é crucial”, realçou.

O director do Centro de Estudos Políticos Europeus aponta o dedo à Comissão Europeia e ao Eurogrupo por terem aprovado os primeiros cortes propostos por Atenas, que eram “claramente insuficientes”. Para Gros, foi isso que alimentou as apostas do mercado em torno de uma insolvência da Grécia, e não a demora da Alemanha em aprovar o resgate conjunto por parte da Zona Euro e do FMI.

Gros considera que Espanha está menos exposta a um contágio da Grécia, “porque tem uma taxa de poupança interna muito mais elevada”. Contudo, advertiu os bancos espanhóis para o facto de poderem deparar-se com um problema de liquidez se os seus congéneres europeus deixarem de os considerar elegíveis para a obtenção de crédito devido às perdas decorrentes da crise no mercado imobiliário. Nesse caso, o BCE teria de tomar medidas para evitar um colapso do sistema financeiro espanhol, alertou.

Quanto à Itália, o economista diz que esta está bastante distanciada da crise, por ter uma taxa de poupança ainda mais elevada, “pelo que o governo pode ser financiado pelos italianos”. No entanto, avisou que a próxima década poderá ser bastante dura para este país, devido ao seu problema de baixo crescimento endémico.

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