Ambiente "Portugal sabe bem as consequências do aquecimento global", diz ministro do Ambiente

"Portugal sabe bem as consequências do aquecimento global", diz ministro do Ambiente

O ministro do Ambiente disse esta sexta-feira na ONU, em Nova Iorque, que "Portugal sabe bem as consequências do aquecimento global", no dia em que mais de 160 países ratificam o Acordo de Paris sobre as alterações climáticas.
"Portugal sabe bem as consequências do aquecimento global", diz ministro do Ambiente
Bruno Simão/Negócios
Lusa 22 de abril de 2016 às 22:18

"O nosso compromisso [com o Acordo de Paris sobre as alterações climáticas] é muito sério porque Portugal sabe bem as consequências do aquecimento global. Portugal é um caso evidente de que a adaptação [às mudanças] é um problema de hoje", defendeu João Matos Fernandes na ONU.

 

Para o responsável, "aquilo que está a acontecer na linha de costa e os fenómenos de pluviosidade extrema deixam claro de que a adaptação é absolutamente fundamental."

 

O Acordo de Paris, hoje assinado, foi alcançado em Dezembro, com o consenso de 195 países mais a União Europeia, depois dos vários anos de pessimismo que se seguiram ao falhanço da cimeira do clima de Copenhaga, em 2009.

 

O ministro acredita que o documento é suficiente, mas admite que não permite chegar à temperatura desejada. "Sabemos que o resultado desses compromissos não nos permite chegar ao nosso objectivo, que é chegar ao final do século XXI com um valor global de 1.5 graus [acima] relativamente ao valor de origem na era pré industrial. Não conseguimos chegar lá", disse o representante.

 

Ainda assim, o ministro considera que o acordo resulta de "um processo muito inteligente e multilateral" que permite a obrigação dos compromissos de cada país a cada cinco anos para que o grande objectivo final seja atingido. "A cada cinco anos, cada país tem a obrigação de entregar planos mais ambiciosos para que possamos cumprir as penas", disse.

 

Esta estratégia, explicou, representa uma mudança de paradigma face aos acordos ambientais do passado. "Se fizermos um pouco de história, [o protocolo de] Quioto foi dos ricos, [a cimeira de] Copenhaga foi pouco sucedida porque houve um certo paternalismo dos países do norte a dizer aos outros o que fazer, e Paris é um movimento completamente diferente, que nasce da vontade de cada país de depositar um documento com os seus próprios compromissos", disse à Lusa.

 

O acordo entrará em vigor quando 55 países, que representem pelo menos 55% das emissões, completem o processo de ratificação.

 

A China e os Estados Unidos, que sozinhos são responsáveis por 40% das emissões mundiais, já garantiram que vão completar o processo até ao final do ano.

 

O ministro português diz-se muito optimista no que respeita à entrada em vigor do acordo, que estava inicialmente prevista para 2020 - pensa-se agora que possa ser antecipada em mais de dois anos. "Não nos passa pela cabeça que o acordo não seja ratificado e não entre em vigor", concluiu.

 




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