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Portugal tem que tomar "decisões" duras para vencer a crise

Um dos maiores especialistas mundiais em gestão de processos de negócio, o australiano John Jeston, afirmou que Portugal necessita de tomar "decisões duras" contra a crise e defendeu a internacionalização para o crescimento das empresas portuguesas sem despedir funcionários.

Lusa 04 de Maio de 2010 às 15:55
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Um dos maiores especialistas mundiais em gestão de processos de negócio, o australiano John Jeston, afirmou que Portugal necessita de tomar "decisões duras" contra a crise e defendeu a internacionalização para o crescimento das empresas portuguesas sem despedir funcionários.

"Há algumas decisões duras que terão de ser tomadas. Eu acho que Portugal espera que o resto da Europa preste auxílio [mas] cada família tem de se apoiar nos seus próprios pés. Portugal é só uma família maior", disse John Jeston em entrevista à agência Lusa.

Jeston, um dos maiores especialistas em "business process management", ou gestão de processos de negócio, participa em Portugal numa conferência sobre o tema, que hoje arrancou e que termina na quinta feira, com o objectivo de promover a adopção de práticas que desenvolvam a competitividade e produtividade das empresas portuguesas.

"Muitas empresas portuguesas bem sucedidas estão a expandir-se para fora de Portugal e mesmo para fora da União Europeia. Algumas estão a expandir-se para o Brasil, que é uma grande economia", afirmou o especialista australiano, alertando para os níveis de dívida portuguesa.

"A dívida portuguesa é de cerca de 78% do Produto Interno Bruto (PIB), o que é muito. Os ordenados também têm vindo a subir 3,4% nos anos recentes, contra um por cento na Alemanha. Não é sustentável. Se não é sustentável numa economia como a alemã, com certeza que não será sustentável na Grécia, em Portugal ou Espanha", avisou.

Aos gestores, sobretudo das pequenas e médias empresas (PME), que compõem grande parte do tecido empresarial português, Jeston aconselha que aproveitem a altura de crise para repensar operações e processos de gestão.

"É uma oportunidade fantástica - e tem sido uma oportunidade fantástica - para voltar ao básico. Não acredito que o melhor a fazer seja despedir pessoas, porque o único activo que as empresas têm são as pessoas", afirmou.

A altura de crise, disse ainda John Jeston, "é uma grande oportunidade para explorar novas formas de melhorar e alterar as formas de gerir um negócio".

Para as PME, Jeston defendeu ainda a gestão através da melhoria dos processos de negócio, referindo a importância do "respeito pelas pessoas e de um sistema que responsabilize as pessoas, não um sistema de comando e controle".

"Num rebanho, onde é que o pastor se coloca? Não é na frente, é atrás e guia as ovelhas ao longo do caminho. Um gestor não é diferente, um bom gestor é como um treinador, que fornece às pessoas oportunidades de se desenvolverem. Diz-lhes os resultados que querem atingir, não como os atingir", concluiu.



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