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Ministro da Economia: Portugal vai cumprir compromissos e banca está a estabilizar

Novo Banco, o eventual excesso de optimismo sobre a economia portuguesa, as necessidades de capital da banca portuguesa, a aprovação do orçamento pela Comissão Europeia e as eleições presidenciais do próximo domingo. Fora as questões da imprensa estrangeira para Caldeira Cabral em Davos.

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Inês F. Alves inesalves@negocios.pt 22 de Janeiro de 2016 às 11:38
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O ministro da Economia, Manuel Caldeira Cabral, começou o dia em Davos - onde decorre o Fórum Económico Mundial - a dar entrevistas à Bloomberg e à CNBC, onde fez questão de assegurar que Portugal está comprometido em reduzir a sua dívida apesar da reversão de algumas das medidas de austeridade e que a banca está estável, depois da queda do Banif e, sobretudo, da decisão do Banco de Portugal em responsabilizar também os credores seniores dos encargos da resolução do Banco Espírito Santo.

"Tivémos problemas com os nossos bancos, alguns deles inesperados, e outros não tão inesperados, e agora as coisas estão mais estáveis. Foi um longo esforço para o conseguir, para as contas públicas também. Não prevejo problemas adicionais no futuro próximo, então, espero que o sistema estabilize", disse Caldeira Cabral em entrevista à CNBC, quando inquirido sobre a banca portuguesa, um dos principais temas abordados pela imprensa estrangeira em Davos.

Caldeira Cabral assumiu à Bloomberg que "alguns agentes de mercado estão aborrecidos com a solução do banco central [Banco de Portugal] para o Novo Banco", mas salientou que se trata de uma "autoridade independente", cuja decisão está "em linha com as determinações que serão tomadas na Europa, e em que os credores séniores terão de pagar uma parte dos resgates dos bancos".

"Penso que não vamos precisar mais deste tipo de operações. Estabilizou o banco, e nesse sentido foi positivo. Claro que não foi positivo para os investidores, e estamos a estudar como garantir a confiança dos investidores no país", acrescentou o governante português.

Questionado sobre a necessidade de maior capitalização dos bancos, Caldeira Cabral disse à Bloomberg que "há casos específicos em que o reforço é positivo", mas recusou uma necessidade generalizada de recapitalização da banca portuguesa. Todavia, disse que "não colocaria de lado a necessidade de mais capital", e que daria as "boas-vindas" a todos os investidores que aproveitassem a "oportunidade e os baixos preços dos nossos activos na banca para reforçar o capital".

A decisão do Governo de António Costa de reverter algumas das medidas de austeridade foi outra das questões abordadas nestas entrevistas, tendo a imprensa pedido a Caldeira Cabral para explicar como pretende Portugal reduzir a dívida revertendo ao mesmo tempo a austeridade aplicada pelo anterior Governo.

"Não estamos a apostar na austeridade, mas estamos a apostar num processo contínuo de consolidação que é muito importante para o país", disse o ministro da Economia à Bloomberg, salientando que Portugal tem "um compromisso forte em reduzir a dívida" e em "pôr as contas em ordem".

Questionado sobre a possibilidade de a Comissão Europeia não aprovar o orçamento proposto para 2016, Caldeira Cabral pediu um voto de confiança. "Penso que estamos a trabalhar com a Comissão e esperamos ver que a Comissão dá crédito a esses esforços. Portugal está a fazer o seu trabalho, não é um trabalho fácil, que está a tornar-se mais fácil graças ao acelerar do crescimento que se estende a toda a Europa, mas em Portugal vamos ter um aumento superior a outros países, e isso é algo positivo", disse à CNBC.

Sobre este orçamento, o ministro da Economia salientou que a proposta [para 2016] prevê um défice de 2,6% do PIB, "ficando abaixo do limite delineado pelos compromissos europeus".

"Vamos ter um crescimento mais forte, em linha com o aumento do crescimento europeu, e isso vai ajudar um pouco", garantiu o responsável à Bloomberg.

Questionado pela agência sobre o que justifica o seu optimismo, Caldeira Cabral salientou que "a redução dos preços da energia é muito positiva para o país", que há um forte compromisso de investimento em Portugal "de grandes firmas como a Volkswagen, Bosch ou Siemens ", que "o crescimento das exportações está entre um dos mais fortes da União Europeia" e que há movimentos "muito positivos" também ao nível do turismo e do sector imobiliário.

"Sim, estou muito optimista sobre as perspectivas do país", disse Caldeira Cabral à Bloomberg, reforçando o compromisso do Governo português em trabalhar para criar incentivos para atrair investimento directo estrangeiro e melhorar as condições para as empresas que operem em solo nacional, o que "trará muitos resultados positivos para o país".

Convidado a olhar para o exterior, Caldeira Cabral disse que não espera "uma aterragem dura na China", apesar de a sua economia estar a abrandar. Todavia, lembrou que há investimento chinês em Portugal, pelo que o seu desejo é de que "a China fique bem e continue a ser um motor de crescimento".

As eleições presidenciais de domingo foram outro dos temas em cima da mesa, com o ministro da Economia a salientar que "todos os líderes na corrida são candidatos moderados, comprometidos em manter o Governo e a legislatura". "Não acredito que as eleições presidenciais tragam alguma surpresa ou algum problema ao Governo, disse à CNBC.

Questionado sobre a capacidade de o Governo chegar ao fim da legislatura, Caldeira Cabral mostrou-se confiante: "Acredito que o Governo tem condições para durar quatro anos". "Temos de fazer um esforço para garantir que estamos à altura das nossas promessas, que conseguimos alcançar a consolidação das contas públicas e tornar a vida dos portugueses melhor", concluiu na entrevista à CNBC.

 

Veja a entrevista de Manuel Caldeira Cabral à CNBC:

 

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