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Powell não considera juros negativos adequados para os EUA

O presidente da Reserva Federal (Fed) dos Estados Unidos, Jerome Powell, disse esta sexta-feira que não considera as taxas de juro negativas uma ferramenta adequada de política económica no país em contexto de pandemia de covid-19.

Sarah Silbiger/Reuters
Lusa 29 de Maio de 2020 às 19:47
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"Alguns bancos [centrais] decidiram usar taxas de juro negativas. Não pensamos que seja uma ferramenta adequada aqui nos Estados Unidos, e diria que as provas de que ela efetivamente resulta é mista", disse Jerome Powell numa conversa com o professor Alan Blinder, da Universidade de Princeton, transmitida na internet.

"Há claramente alguns efeitos colaterais negativos, como por vezes acontece com estas coisas, e não é claro para os meus colegas no Comité do Mercado Aberto que seja uma ferramenta que seria adequada de implementar" nos Estados Unidos, disse o presidente da instituição que funciona como banco central dos Estados Unidos.

Questionado sobre as diferenças entre, por exemplo, os Estados Unidos e a zona euro, Powell salientou as "diferenças de entendimento entre banqueiros centrais por todo o mundo", e disse que "as provas de que efetivamente resulta [a política de juros negativos] são bastante ambíguas".

"Interfere com o processo de intermediação de crédito que os bancos devem fazer. Eles recebem depósitos, emprestam, e se a política de juros é negativa está-se a comprimir as margens dos bancos e isso faz-lhes emprestar menos, e há outros efeitos negativos possíveis", argumentou o líder da Fed.

Jerome Powell mencionou ainda "enquadramentos institucionais que não resultariam com juros negativos" nos Estados Unidos, dando como exemplo fundos do mercado monetário a que as empresas e indivíduos recorrem.

O líder da Fed referiu-se aos níveis de inflação, cujas preocupações "estão em baixa e não em alta", mas que "se veem os preços a descer porque em grandes partes da economia as pessoas estão a cortar nos preços".

"Veremos dados de baixa inflação por um bocado. Temos vindo a lidar com forças deflacionárias há muito tempo, mundialmente", lembrou, considerando que "a inflação tem estado sob controlo", não vendo "riscos para a estabilidade financeira"

Relativamente à pandemia, Jerome Powell referiu que "o perigo de uma segunda vaga seria desafiante", mas que a Fed ainda não está "perto de nenhuns limites que possa ter" quanto à extensão da sua ação.

"Uma segunda vaga comprometeria a confiança. Uma recuperação completa da economia dependeria da confiança de que é seguro sair, de que é seguro envolver-se numa ampla gama de atividades económicas. É assim que a economia vai recuperar", considerou.

Caso acontecesse uma segunda vaga, a recuperação seria "significativamente mais longa e mais fraca", disse Jerome Powell.

O "Grande Confinamento" levou o Fundo Monetário Internacional (FMI) a fazer previsões sem precedentes nos seus quase 75 anos: a economia mundial poderá cair 3% em 2020, arrastada por uma contração de 5,9% nos Estados Unidos, de 7,5% na zona euro e de 5,2% no Japão.

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