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Prémios na banca ao almoço de hoje dos ministros das Finanças

É o prato forte da "rentrée" política europeia:os bónus milionários que vários bancos continuam a pagar aos seus colaboradores, mesmo depois de terem sido resgatados pelo erário público. O assunto estará hoje à mesa dos ministros europeus das Finanças.

Eva Gaspar egaspar@negocios.pt 02 de Setembro de 2009 às 10:26
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Os ministros das Finanças da União Europeia reúnem-se hoje em Bruxelas num almoço informal de trabalho que será aproveitado pelo eixo franco-alemão para forçar o bloco europeu a assumir uma posição de força na próxima cimeira do G20, que terá lugar no fim deste mês, em Pittsburgh, na Pensilvânia.

Na primeira linha de fogo estão ao prémios e os bónus milionários que vários bancos continuam a pagar aos seus colaboradores - em particular aos corretores de Bolsa - mesmo depois de terem sido salvos por dinheiro dos contribuintes.


Paris e Berlim dizem que não estão dispostas a tolerar que o poder político continue subjugado ao sistema financeiro. Após um encontro a dois, nesta semana, Nicolas Sarkozy e Angela Merkel anunciaram que querem impor critérios e limites aos prémios e exigir reservas de capital mais elevadas aos bancos, em especial, se a política remuneratória for considerada como um factor de estímulo a uma exposição excessiva ao risco.

O presidente francês e a chanceler alemã, que prometem chegar de novo ao um encontro do G20 a falar a "uma só voz", deram ainda indicações muito claras de que não vão facilitar uma consolidação no sector que gere instituições financeiras de tal forma gigantescas que, em caso de dificuldades, não deixam outra opção aos Estados senão socorrê-las. "Não podemos permitir bancos de tal forma grandes ao ponto de poderem chantagear Governos", frisou Merkel.

Esta nova etapa na "cruzada moralizadora" da banca volta a ter como principal protagonista Nicolas Sarkozy. O presidente francês reuniu-se na semana passada com os banqueiros do país e anunciou que o Governo deixará de trabalhar com instituições financeiras - nacionais ou internacionais - que não sigam uma nova cartilha, com várias medidas de aplicação "imediata".

A mais controversa visa os "traders", ou corretores, que apenas poderão receber bónus uma vez os ganhos que consigam obter se revelem minimamente sustentáveis.
Londres mostra-se, contudo, mais prudente em relação ao aperto da regulamentação.

Em entrevista ontem ao "Financial Times", Gordon Brown disse que é preciso disciplinar as remunerações e a gestão financeira na banca, mas mostra-se mais reticente sobre a legislação concreta a adoptar. Também os EUA parecem ter medo de matar, com excesso de regulamentação, a galinha que muitos ovos de ouro deu num passado recente.
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