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Presidente italiano de olho em antigo director do FMI para primeiro-ministro

Cotarelli, ex-director do FMI, pode ser indicado para primeiro ministro de Itália pelo presidente da República. Isto depois de este vetar a escolha de Conte para ministro das finanças, o que fez o responsável por formar Governo desistir do cargo.

EPA
Ana Batalha Oliveira anabatalha@negocios.pt 28 de Maio de 2018 às 08:35
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Há mais uma reviravolta na política italiana. O presidente da República, Sergio Mattarella, tem um nome debaixo de olho para o cargo de primeiro-ministro: Carlo Cotarelli, um antigo director para os assuntos orçamentais do Fundo Monetário Internacional (FMI). Espera-se que seja convidado ainda esta segunda-feira, avança a Reuters.

As eleições antecipadas são assim uma hipótese cada vez mais viva, e o jornal Corriere della Sera, citado pela Bloomberg, aponta para 9 de Setembro como uma possível data.

Se se confirmar esta intenção, Mattarella deverá avançar assim com o seu plano inicial: nomear um governo de transição apartidário para aprovar o Orçamento do Estado de 2019 no Parlamento, bem como a reforma da lei eleitoral.


O novo nome para chefiar o Governo italiano, que será de transição, surge depois de Giuseppe Conte desistir do cargo, ao formar-se um ambiente de discórdia entre o candidato e o presidente da República. Mattarella abriu a porta de saída a Conte ao vetar a escolha deste para ministro das Finanças. Paulo Savona, eurocéptico de 81 anos, foi o nome rejeitado. 

"Concordei com todos os ministros, excepto o de ministro das Finanças", afirmou o presidente aos jornalistas este domingo. "Pedi uma pessoa que não representasse uma saída do euro", acrescentou. "Agora há forças políticas que me pedem eleições", adiantou.

O Movimento 5 Estrelas ameaça agora pedir a destituição de Matarella do cargo de presidente da República. Do lado da Liga, o líder Matteo Salvini fala em "conspiração" e apela a novas eleições. 

"Trabalhámos durante semanas, dia e noite, para garantir o nascimento de um governo que defendesse os interesses dos cidadãos italianos. Mas alguém (sob pressão de quem?) disse-nos não", afirmou Salvini através de uma publicação na sua conta de Facebook. "Nesta altura, com a honestidade, coerência e coragem de sempre, devem dizer algo", adiantou, defendendo assim a realização de eleições. 

A decisão de Mattarella parece ter agradado aos mercados, que têm sido afectados pela crise política italiana. O principal índice da bolsa de Roma abriu a subir 1,59% para os 22.754,27 pontos e os juros da dívida pública estão a cair 8,6 pontos base para 2,375%. Já a moeda única europeia beneficia de uma valorização de 0,50% face ao dólar, cotando nos 1,1709 dólares.  

Conte havia ficado responsável pela formação de um novo Governo a 23 de Maio, após várias semanas de negociações entre partidos. Conte foi a opção apontada pelo vencedor das eleições legislativas, o Movimento 5 Estrelas, que, sem maioria absoluta, precisou do apoio do Liga. Conte foi na altura aprovado por Mattarella.

 

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