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Presidente da UA quer colonialismo "enterrado"

O presidente em exercício da União Africana (UA) considerou hoje que a nova parceria aprovada na II Cimeira Europa/África só terá efeitos, se desaparecer por completo o que ainda resta de colonialismo entre os dois continentes.

Negócios com Lusa 09 de Dezembro de 2007 às 19:33
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Na conferência de imprensa que encerrou a Cimeira, John Kufuor, chefe de Estado do Gana, declarou-se satisfeito com os documentos aprovados pelos líderes da União Europeia e de África, mas avisou que o novo relacionamento poderá deparar com alguns obstáculos, até porque, ainda há 50 anos, a Europa mantinha com o continente africano uma relação colonial.

"O Gana tornou-se independente há 50 anos e foi o primeiro país africano a libertar-se" , lembrou Kufuor, adiantando que se seguiram outras independências - as dos cinco Países Africanos de Língua Oficial Portuguesa (PALOP) ocorreram já na década de 70 -, mas ficaram marcas que perduraram com o passar dos anos.

"Os colonizadores britânicos mantiveram relações especiais com as suas ex-colónias (os países africanos anglófonos), a França com os francófonos, Portugal com os lusófonos e Espanha com os seus", exemplificou o presidente da UA, insistindo na necessidade de "acabar com essas marcas deixadas pela História".

Kufuor, que se escusou sempre a dar a sua opinião pessoal, dizendo que estava ali como presidente da UA e só falava nessa qualidade, deixou ainda um apelo a todos os países africanos para que procurem ser cada vez mais eficazes na defesa dos seus direitos e valores.

"Se formos eficazes a nível interno, sê-lo-emos também a nível internacional", concluiu.

A II Cimeira UE/África, que reuniu, no sábado e hoje, em Lisboa, cerca de uma centena de chefes de Estado e/ou de Governo africanos e europeus, aprovou uma Parceria Estratégica sem precedentes, que regulará, a longo prazo, as relações políticas, económicas e comerciais entre os dois continentes.

Naquela que foi a maior reunião política de alto-nível realizada na Europa nas últimas décadas, a cimeira adoptou ainda o primeiro Plano de Acção, com projectos a executar, no curto prazo (2008-2010), entre os dois continentes, o qual prevê mecanismos de controlo de aplicação e de acompanhamento.

Os líderes europeus e africanos aprovaram um documento de natureza política, designado Declaração de Lisboa.

A realização da segunda Cimeira euro-africana era uma das três grandes prioridades da actual presidência portuguesa da UE, que se iniciou em Julho e termina no final deste mês.

Na organização da cimeira assumiu particular relevo o braço-de-ferro entre o Reino Unido e o Zimbabué, com o primeiro-ministro britânico, Gordon Brown, a recusar-se a vir a Lisboa devido à presença do chefe de estado zimbabueano, Robert Mugabe, cujo regime é alvo de sanções europeias por autoritarismo e violações dos direitos humanos.

A primeira Cimeira África/Europa (designação oficial) realizou-se a 03 e 04 de Abril de 2000, no Cairo, durante a anterior presidência portuguesa do bloco europeu.

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