África Presidente moçambicano diz que banco central não se deve assustar com pressões de fora

Presidente moçambicano diz que banco central não se deve assustar com pressões de fora

O presidente moçambicano, Filipe Nyusi, disse ao novo governador do Banco de Moçambique, Rogério Zandamela, para não se espantar nem assustar com pressões de fora e pediu medidas de resiliência face à crise que o país enfrenta.
Presidente moçambicano diz que banco central não se deve assustar com pressões de fora
Lusa 01 de setembro de 2016 às 20:09

"Dediquem-se afincadamente à dinamização da coordenação da actividade do sistema financeiro em prol de uma maior estabilidade macroeconómica. Por isso, não se espantem nem se assustem com aquilo que possa ser pressão de fora. Moçambique é a vossa terra e é para ela que devem dar o máximo do vosso esforço", afirmou Nyusi, dirigindo-se a Zandamela e sua equipa, na cerimónia de posse do novo governador do banco central.

 

No seu discurso, o presidente moçambicano enumerou os desafios do novo líder do banco central, entre os quais elevar a qualidade dos serviços do sistema financeiro e cambial, "mesmo com uma pressão desleal sobre a governação do Banco de Moçambique que possa existir", lembrando que o povo moçambicano "é o dono" da instituição.

 

Rogério Zandamela, quadro do Fundo Monetário Internacional (FMI), substitui Ernesto Gove, que abandona o cargo ao fim de dez anos, num momento em que Moçambique enfrenta uma crise traduzida pela descida do valor das matérias-primas de exportação, forte desvalorização do metical, subida da inflação, desastres naturais e conflito militar no centro do país.

 

A descoberta em Abril de avultadas dívidas garantidas pelo Estado, entre 2013 e 2014, à revelia das contas públicas, levou o FMI a interromper um crédito a Moçambique e os doadores do Orçamento do Estado a suspender os seus pagamentos.

 

Fez ainda disparar a dívida pública para 86% do Produto Interno Bruto, ao mesmo tempo que criou incerteza sobre a capacidade do Governo face aos seus compromissos.

 

Para Filipe Nyusi, impõe-se ao banco central, na qualidade de autoridade cambial, "a criação de soluções inovadoras e mais ousadas para garantir a preservação e rentabilização das reservas internacionais líquidas" e mantê-las a "um nível adequado" para a cobertura das importações e do serviço da dívida.

 

Falando sobre a conjuntura adversa, o presidente da República referiu que o Banco de Moçambique "deve recorrer a políticas de resiliência financeira capazes de manter a estabilidade económica, mesmo em situações de crises macroeconómicas cíclicas".

 

Nesse sentido, apontou a necessidade de concertação das medidas monetárias com a política fiscal, consistência entre a massa monetária e a actividade económica e "intensificação da monitorização das transacções comerciais e financeiras" com o exterior.

 

O comportamento do banco central, prosseguiu, deve igualmente ser conduzido por "um mecanismo que permita uma grande capacidade de ajustamento macroeconómico", sobretudo num país vulnerável a choques externos.

 

Como forma de conter a inflação e a desvalorização da moeda, o Banco de Moçambique já aumentou sete vezes as taxas de juro de referência desde Outubro do ano passado e, em Julho, subiu-as três pontos percentuais para 17,25% nos créditos e 10,25% nos depósitos.

 

Segundo o presidente moçambicano, são precisas "medidas apropriadas para o controlo da inflação" alinhadas com as políticas de redução da procura adoptadas pelo Governo.

 

Sobre o sistema financeiro, Nyusi assinalou que o Banco de Moçambique deve "aprimorar medidas de regulação e supervisão comercial" e prevenir e corrigir falhas.

 

"É imperiosa uma melhor protecção dos agentes económicos, correcção de falhas de mercado, prevenção de riscos sistémicos, correcção de ações desviantes das instituições financeiras e por último uma maior transparência, estabilidade e eficiência do sistema financeiro", declarou.

 

Filipe Nyusi disse ainda que o banco central deve estimular a poupança, "que induza a expansão da base produtiva e diversificação da economia", e que a exploração do potencial nos distritos exige o alargamento da representação das instituições financeiras. "O Banco de Moçambique deve conhecer Moçambique real ao longo de todo o território nacional", defendeu.

 




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