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Primeiro-ministro da Turquia confirma abandono do cargo

A saída da chefia do governo está a ser interpretada como o reconhecimento de que Davutoglu terá dado por perdida a guerra que travava com Erdogan por um regime mais transparente, aberto e descentralizado no país islâmico que detém o segundo maior exército da NATO.

Krisztian Bocsi/Bloomberg
Negócios 05 de Maio de 2016 às 16:07
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O Partido da Justiça e do Desenvolvimento (AKP), no poder na Turquia, vai reunir-se em congresso extraordinário a 22 de Maio e o primeiro-ministro, Ahmet Davutoglu (na foto), não se recandidatará à liderança. Ao não fazê-lo, perde automaticamente o cargo de primeiro-ministro, segundo os estatutos do partido.


Davutoglu foi eleito líder do AKP em Agosto de 2014, depois de Recep Tayyip Erdogan, três vezes primeiro-ministro, ter sido eleito presidente. A sua saída da chefia do governo está a ser interpretada como o reconhecimento de que terá dado por perdida a guerra que travava com Erdogan por um regime mais transparente, aberto e descentralizado no país islâmico que detém o segundo maior exército da NATO.


Erdogan governou a Turquia por mais de uma década como primeiro-ministro mas tem mantido controlo apertado sobre o país mesmo depois de ter subido à presidência em 2014, tentando usurpar protagonismo a Davutoglu. Os confrontos entre os dois têm sido cada vez mais públicos e notórios numa altura em que o país se debate com uma crise económica e duas outras frentes de conflito crescentes: com os rebeldes curdos e com militantes do chamado "Estado Islâmico". 

Na semana passada, enquanto estava em visita oficial ao Qatar, o partido fez uma alteração ao estatutos retirando ao seu presidente o poder de nomear os líderes das filiais. Essa terá sido a gota de água para Davutoglu, mas as divergências entre os dois líderes vêm de 2014, quando o primeiro-ministro propôs um "pacote de transparência" para combater a corrupção que Erdogan vetou por considerar a iniciativa prematura.

O primeiro-ministro tem sido também o interlocutor privilegiado da União Europeia, que ofereceu dinheiro e a antecipação do fim da exigência de vistos para cidadãos turcos a troco de apoio de Ancara na contenção da vaga migratória. "A credibilidade da estrada da Turquia para a União Europeia repousa hoje com o primeiro-ministro Ahmet Davutoglu", comentou no  Twitter Carl Bildt, ex-primeiro-ministro da Suécia e velho defensor da adesão da Turquia à UE. "Se ele sai, torna-se tudo imprevisível ".

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