Construção Procuram-se britânicos para construir Reino Unido após o Brexit

Procuram-se britânicos para construir Reino Unido após o Brexit

O sector da construção no Reino Unido está desejoso que os jovens britânicos passem a interessar-se pelas profissões do ramo.
Bloomberg 11 de março de 2018 às 10:00

O fluxo de imigrantes no Reino Unido, que representam quase um quinto dos trabalhadores no sector britânico da construção imobiliária, está a diminuir perante a iminência do Brexit, o que faz com que os salários subam, provocando uma dor de cabeça às empresas da construção – e também ao governo. Além disso, não há muitos sinais de que os trabalhadores britânicos estejam ávidos para preencher essa lacuna.

 

"Os jovens ingleses simplesmente não vêem esse ofício como uma opção profissional", refere Jackson Clark, mestre-de-obras de 28 anos, de Londres.

 

A escassez de mão-de-obra poderá impedir que o governo cumpra a promessa de aumentar o número de casas construídas anualmente para 300.000 a fim de resolver uma crise habitacional que afecta principalmente Londres e a região sudeste.

 

Na capital, cerca de metade dos trabalhadores da construção provém de outros países da União Europeia. Clark diz ter trabalhado em projectos em que 70% dos funcionários não eram cidadãos do Reino Unido e afirma que a migração tem sido boa para o sector.

 

Talvez não dure muito mais. A migração líquida oriunda de outros países da UE caiu para menos da metade desde o referendo do Brexit, em 2016. A saída do Reino Unido do bloco deve acelerar esse processo, à medida que forem entrando em vigor leis que tornarão o Reino Unido menos acessível aos trabalhadores estrangeiros.

 

O declínio foi particularmente agudo entre os cidadãos dos oito países da Europa Oriental que aderiram à UE em 2004. No período de 12 meses finalizado em Setembro, chegaram 12.000, em comparação com níveis máximos de cerca de 50.000. Este grupo, juntamente com os trabalhadores da Roménia e da Bulgária, responde pela maior percentagem de funcionários da construção civil que não são britânicos.

 

Então, o que deve ser feito? Nigel Hugill, CEO da Urban & Civic – empresa do ramo da construção imobiliária, com sede em Londres –, projecta construir mais de 29.000 casas e diz esperar que os programas de formação possam levar mais jovens britânicos para o sector. No entanto, não está a cantar vitória. No caso dos jovens, é preciso que estejam bem convencidos, sublinhou. "O país simplesmente não pode dar-se ao luxo de que o nosso sector decepcione."

 

As construtoras do Reino Unido, como a Barratt Developments e a Crest Nicholson Holdings, oferecem cerca de 21.000 estágios por ano. Isso não será suficiente para atender à procura por novos imóveis. O sector da construção deverá crescer 1,3% ao ano até 2022 e precisará de 35.000 trabalhadores adicionais a cada ano, de acordo com a Federação Nacional de Construtores.

 

"Se a construção de mais casas tem tanta prioridade para o governo, temos de continuar a ter acesso, no futuro, a trabalhadores qualificados da UE", comentou Chris Turner, porta-voz da Federação de Construtores de Moradias. "Ainda não temos qualquer indicaçãosobre o que fará o governo em relação à migração".




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