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Provedor da Misericórdia do Porto: "O salário mínimo nacional é uma vergonha cívica"

O provedor da Misericórdia do Porto, António Tavares, tomou hoje posse do cargo para um novo mandato de três anos, até 2016, e defendeu que "o salário mínimo nacional que se pratica em Portugal ainda é uma vergonha cívica".

Lusa 06 de Janeiro de 2014 às 23:01
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"O código genético do Porto e a atitude dos portuenses evidenciam a necessidade de não podermos continuar a fazer de conta que nada existe à nossa volta, quando são muitos os danos colaterais que esta crise provoca", acrescentou António Tavares.

 

Reeleito em Novembro passado, o provedor referiu que o seu "programa para o triénio assenta num desígnio de confiança no futuro e na concretização de um modelo de sustentabilidade da Misericórdia do Porto, que permita à instituição ser parte da solução e não do problema" no que toca às questões sociais.

 

António Tavares referiu que o Parlamento aprovou já a Lei de Bases da Economia Social, faltando, porém, a sua regulamentação, e desafiou a autarquia portuense e o Governo a "fazer um programa-piloto no país, tendo a cidade do Porto como pano de fundo, com a criação de um observatório social". O seu objectivo será "congregar meios humanos e financeiros para ajudar as pessoas", completou António Tavares.

 

No mandato que agora começa, a Misericórdia pretende apostar na inovação e no apoio ao empreendedorismo social, "porque a criação de emprego poderá ser feita com a ajuda da economia social", declarou.

 

Tavares parte para este mandato com um programa do qual fazem parte a "abertura do Museu da Misericórdia do Porto", nas próprias instalações-sede da instituição, na Rua das Flores, em pleno centro histórico, e o lançamento de "um programa de reabilitação" do seu imenso património imobiliário na cidade.

 

O provedor, que recordou que a instituição a que preside é "o maior senhorio privado da cidade", ambiciona concluir o programa "até ao final da década", de modo a que o património reabilitado entre no "mundo do arrendamento especializado", acolhendo, nomeadamente, "residências geriátricas ou de estudantes".

 

António Tavares anunciou ainda que a Misericórdia decidiu também homenagear o seu antigo vice-provedor e médico Albino Aroso, recentemente falecido, criando "um novo prémio de apoio à investigação na área das Ciências da Vida". "Será um prémio com carácter anual e dotado com 10 mil euros", informou.

 

Numa intervenção marcada pela sua preocupação com os problemas sociais, o provedor afirmou ainda que é preciso "encontrar a vontade colectiva necessária para desenvolver as reformas que vão contribuir para baixar os níveis de pobreza e combater as desigualdades de rendimentos que continuam a caracterizar Portugal".

 

Na cerimónia de posse do provedor participou também o secretário de Estado da Solidariedade da Segurança Social, Agostinho Branquinho, salientando, por sua vez, que "parceria é a palavra-chave para este Governo" na área social.

 

O Governo pretende ser "cada vez mais parceiro e menos centralizador e tutelar", uma visão que, sublinhou Agostinho Branquinho, está presente na Rede Local de Intervenção Social criada há menos de quatro meses e que "visa aproximar e reforçar a rede social instalada no território aumentando a sua capacidade de resposta" junto da população.

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