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PSD escusa-se a comentar detenção de Sócrates por ser "tema de justiça"

O vice-presidente e coordenador do PSD Marco António Costa disse este sábado que o partido não irá fazer “qualquer comentário político” sobre a detenção de José Sócrates por se tratar de um “tema de justiça”.

Bruno Simão/Negócios
Lusa 22 de Novembro de 2014 às 13:29
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"O PSD não faz comentários sobre matérias de justiça. Isto não se trata de um tema político, portanto não merece nenhum comentário político do PSD", afirmou Marco António Costa à margem de uma convenção autárquica do partido que decorreu este sábado, 22 de Novembro, na Maia.

 

O social-democrata acrescentou que por se tratar de um "tema de justiça" se deve aguardar "serenamente que as instituições judiciais prestem os esclarecimentos que julguem convenientes, em função do desenrolar dos acontecimentos".

 

"Por essa circunstância não faremos mais nenhum comentário", assinalou.

 

Questionado pelos jornalistas sobre se a detenção do ex-primeiro-ministro terá impacto na política nacional, voltou a responder ser necessário "aguardar que a justiça faça o trabalho que está a fazer, preste os esclarecimentos que julgue convenientes".

 

"Não se tratando de um tema político, julgo que não deve o PSD fazer qualquer comentário político", reiterou.

 

O ex-primeiro-ministro José Sócrates foi detido na sexta-feira à noite, quando chegava ao aeroporto de Lisboa proveniente de Paris, no âmbito de um processo de suspeitas de crimes de fraude fiscal, branqueamento de capitais e corrupção.

 

Esta é a primeira vez na história da democracia portuguesa que um antigo primeiro-ministro é detido para interrogatório.

 

Às primeiras horas de sábado, a Procuradoria-Geral da República (PGR) confirmou, em comunicado, a detenção de quatro pessoas, entre elas Sócrates, depois de a notícia ter sido avançada pelas edições ‘on-line’ do Sol e Correio da Manhã.

 

Fonte policial disse hoje à Lusa que os outros detidos são o ex-administrador do grupo Lena Carlos Santos Silva, o advogado Gonçalo Ferreira e Joaquim Lalanda de Castro, representante da multinacional farmacêutica Octapharma, da qual José Sócrates foi escolhido, em 2013, para presidir ao conselho consultivo para a América Latina pelo "conhecimento profundo" da região.

 

No processo, segundo a PGR, estão a ser investigadas operações bancárias, movimentos e transferências de dinheiro sem justificação conhecida e legalmente admissível.

 

O inquérito está a ser desenvolvido no Departamento Central de Investigação e Ação Penal (DCIAP) e foram feitas buscas em vários locais, envolvendo quatro magistrados do Ministério Público e 60 elementos da autoridade Tributária e Aduaneira e da PSP.

 

Carlos Santos Silva, Gonçalo Ferreira e Joaquim Lalanda de Castro foram presentes a um juiz de instrução criminal na sexta-feira e os interrogatórios prosseguem hoje no Tribunal Central de Instrução Criminal, em Lisboa.

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