Economia PSD propõe usar almofada financeira do IGCP para pagamentos em atraso do Estado

PSD propõe usar almofada financeira do IGCP para pagamentos em atraso do Estado

Num comunicado assinado pelo economista Miranda Sarmento, os sociais-democratas sugerem que para assegurar uma resposta pronta à crise o Governo deve recorrer à almofada financeira do IGCP para injetar liquidez na economia através do pagamento dos 4 a 5 mil milhões de dívidas do Estado a fornecedores.
PSD propõe usar almofada financeira do IGCP para pagamentos em atraso do Estado
David Santiago 26 de março de 2020 às 16:35
Apontando a "urgência da situação", o PSD propõe o recurso à almofada financeira do IGCP para um apoio imediato à economia.

Em comunicado assinado pelo economista Joaquim Miranda Sarmento, presidente do Conselho Estratégico Nacional (CEN) do PSD, os sociais-democratas sugerem que, ao longo das duas próximas semanas, o Governo recorra à almofada da agência liderada por Cristina Casalinho (que nas contas do PSD atinge entre 10 a 12 mil milhões de euros) por forma a poder fazer os pagamentos que o Estado tem em atraso para com fornecedores, num montante situado entre 4 e 5 mil milhões de euros.

"É uma medida que injeta liquidez imediata nas empresas e não afeta o défice [pois] a despesa que deu origem a essa dívida a fornecedores, em contas nacionais, já foi registada", justifica a nota enviada às redações.

Ao Negócios, Miranda Sarmento explica ainda o recurso a esta via com o facto de esta almofada do IGCP poder ser "facilmente reforçada" na medida em que a agência responsável pela gestão da dívida portuguesa "continua a ter acesso aos mercados", sobretudo num contexto em que o Banco Central Europeu anunciou um novo programa de compra de ativos de até 750 mil milhões de euros.

O PSD considera ainda que esta é uma ideia "de fácil execução, de elementar justiça e de razoável eficácia, em relação aos objetivos de curto prazo que Portugal tem de salvaguardar.

O partido liderado por Rui Rio adianta que o CEN irá entretanto preparar um conjunto de propostas de reação à crise provocada pela pandemia do coronavírus, as quais serão apresentadas a dois tempos. Numa primeira fase, e a ser apresentado em breve, será proposto um pacote de medidas. "quer nacionais quer de propostas a nível europeu", destinadas a "mitigar a crise de liquidez que já se abate sobre as empresas nacionais".

À posteriori, em maio ou junho, quando já for possível quantificar a dimensão das consequências económicas do surto, o conselho de peritos do PSD apresentará "um programa de recuperação da economia nacional e de aumento da sua competitividade, de capitalização das empresas e de aumento da competitividade, via mais investimento, exportações e emprego".

No âmbito das respostas necessárias, os sociais-democratas defendem que será preciso recorrer aos "instrumentos europeus como o Mecanismo Europeu de Estabilidade (MEE), o Banco Europeu de Investimentos (BEI) e o Banco Central Europeu (BCE)".
Esta manhã, através do Twitter, o líder social-democrata, Rui Rio, sustentou que "2020 vai ser histórico para o futuro da União Europeia" e sustentou que sem uma "resposta conjunta", o bloco europeu arrisca falhar no combate em curso.

No dia em que o Conselho Europeu se reúne para discutir medidas para conter o impacto do coronavírus, e quando há países, como Portugal e França, que defendem, entre outras medidas, a emissão de dívida conjunta, Miranda Sarmento refere, ao Negócios, que o PSD é favorável ao recurso às chamadas corobonds.

O economista recorda que o programa eleitoral dos sociais-democratas já contemplava a ideia de "mutualização da dívida até 60%" e sublinha que nesta conjuntura o partido defenderá também a emissão de dívida europeia.



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