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Putin coloca em alerta tropa russa na zona junto à Ucrânia

O Presidente russo ordenou às tropas russas para estarem alerta e iniciarem testes de resposta militar para um eventual conflito na zona oeste do país. Esta decisão de Moscovo deverá fazer escalar a tensão em Kiev e alimentar os sentimentos separatistas nas zonas pró-Rússia da Ucrânia.

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Putin Orders Drill to Test Military Readiness
David Santiago dsantiago@negocios.pt | Bloomberg TV 26 de Fevereiro de 2014 às 15:55
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O ministro da Defesa russo Sergei Shoigu, citado pela agência Interfax, anunciou que as forças russas “devem estar preparadas” para qualquer tipo de actividade nas zonas próximas das suas linhas de fronteira. A ordem, que veio directamente do Presidente Vladimir Putin, específica que “as forças militares da zona oeste russa estão em alerta”, explicou Shoigu.

 

Esta decisão de Moscovo aparece como resposta às crescentes tensões separatistas que se fazem sentir na Ucrânia. Na zona pró-russa ucraniana onde se inclui a região da Crimeia têm sido constantes as manifestações contra a queda do ex-Presidente Viktor Ianukovich, que entretanto é procurado pela justiça ucraniana. Surgem relatos que apontam para a possibilidade de Ianukovich estar escondido na Crimeia.

 

O ministro dos Negócios Estrangeiros russo Sergey Lavrov disse, na sequência do início dos testes militares, que os extremistas ucranianos “estão a impor a sua vontade” provocando graves tensões religiosas. Lavrov sustenta que estas tensões podem provocar ainda “maiores divisões na sociedade ucraniana”. O ministro referia-se à eventual ameaça que paira sobre padres russos ortodoxos e sobre propriedades detidas pela igreja ortodoxa russa.

 

Em Kiev está marcada, para esta quarta-feira, a votação “de braço no ar” na Praça da Independência para escolher o Governo que deverá substituir a equipa proposta pelo antigo presidente do parlamento, Olexandre Turchinov, entretanto indigitado Presidente provisório até à realização das eleições antecipadas marcadas para o dia 25 de Maio.

 

Esta terça-feira, Turchinov avisava para os riscos de separatismo com que Kiev se depara. Depois de ser ter encontrado com vários oficiais militares, o presidente interino garantia ter sido “discutida a questão de não permitir qualquer sinal de separatismo e ameaça à integridade territorial da Ucrânia e a questão sobre a punição dos culpados deste tipo de acção”.

 

A atitude de Moscovo não é inesperada e surge na sequência da retirada do seu representante diplomático em Kiev e depois de o primeiro-ministro Dmitry Medvedev ter dito que os “interesses dos cidadãos russos [na Ucrânia]” podiam estar em causa. Medvedev mostrava ainda as dúvidas de Moscovo sobre “a legitimidade” do novo Governo, que segundo a sua leitura tinha nascido de uma “rebelião armada”.

 

Apesar do anúncio oficial do Kremlin, em relação às manobras militares iniciadas esta quarta-feira, nada foi explicado sobre as movimentações que levaram um navio de guerra russo a estacionar ao largo da Crimeia na zona de Sevastopol.

 

Crimeia foco de tensão

 

A Crimeia sempre constituiu um palco de grandes tensões entre a Ucrânia e a Rússia. É neste território que se esgrimem, de forma mais acentuada, os argumentos entre pró-europeus, apoiantes da integridade territorial ucraniana, e pró-russos, que defendem a independência da região e, em muitos casos, a anexação à Rússia.

 

Esta região, que tem na maioria da sua população descendentes russos, assistiu ao longo desta quarta-feira a vários incidentes entre as duas facções referidas. Enquanto se aguardam novidades sobre o novo Governo que sairá da votação na Praça da Independência, cidadãos pró-Kiev e pró-Moscovo mantêm posições junto ao parlamento da cidade Simferopol, separados por um grande dispositivo policial.

 

Ucrânia é “um amigo sincero”

 

Poucas horas depois de serem conhecidas as manobras militares iniciadas por Moscovo, o secretário-geral da NATO, Anders Fogh Rasmussen, tentou apaziguar a tensão entre Kiev e a capital russa. Rasmussen deixou claro que a Ucrânia é um “amigo sincero” e um “aliado próximo”.

 

Antes do início da reunião em Bruxelas entre os ministros da Defesa dos países que compõem o Tratado do Atlântico Norte, Rasmussen afirmou a convicção “de que todos os países respeitam a soberania, a independência e a integridade territorial” da Ucrânia. Acrescentou ainda que foi “esta a mensagem transmitida às partes” envolvidas no conflito. Mais directo ainda foi o ministro da Defesa inglês, Philip Hammond, que avisou que a NATO está a “tomar notas” das actividades militares ordenadas pelo Kremlin.  

 

 (Notícia actualizada às 17h46m com informação sobre a região da Crimeia e a posição da NATO)

 

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