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"A situação pode ser diferente no segundo semestre. Diferente para pior"

Pedro Ferraz da Costa diz acreditar que o segundo semestre poderá ser diferente, "para pior". Em entrevista dada a Rosário Lira, subdirectora da Antena 1, e que será transmitida hoje ao meio dia no programa "Este Sábado", o presidente do Fórum para a Competitividade tece críticas ao PEC, defende a poupança e acha possível que possamos não ser uma segunda Grécia. Mas isso implica políticas diferentes.

Negócios negocios@negocios.pt 13 de Março de 2010 às 07:01
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Pedro Ferraz da Costa (na foto) diz acreditar que o segundo semestre poderá ser diferente, "para pior". Em entrevista dada a Rosário Lira, subdirectora da Antena 1, e que será transmitida hoje ao meio dia no programa "Este Sábado", o presidente do Fórum para a Competitividade tece críticas ao PEC, defende a poupança e acha possível que possamos não ser uma segunda Grécia. Mas isso implica políticas diferentes.

Na entrevista, o empresário declara que “estamos a viver neste momento um momento de acalmia nos mercados financeiros, mas quer Portugal, quer outros países do Sul da Europa vão ter de continuar a renegociar dívida externa e o segundo semestre pode ser muito diferente do actual”.

“O Banco Central Europeu tem anunciado que vai acabar com a cedência de liquidez que tem feito e que tem mantido a banca a funcionar sem grandes problemas. Os mercados neste momento parecem relativamente acalmados e o Estado português conseguiu colocar dívida com uma procura superior à oferta agora muito recentemente. Os gregos também conseguiram colocar, mas a situação pode ser diferente no segundo semestre. Diferente para pior”, diz Pedro Ferraz da Costa, que foi presidente da Confederação da Indústria Portuguesa (CIP) durante perto de 20 anos.

PEC 1, 2 e 3

Sobre o PEC, que vai ser aprovado em conselho de ministros este fim-de-semana, Ferraz da Costa também tece críticas. “Acho que é um programa de estabilidade insuficiente e é quase nulo no que diz respeito ao crescimento. Aliás, quase que se pode ficar com a ideia que não existe Ministério da Economia em Portugal”, afirma.

“Eu chamaria a isto um PEC 1. E acho que se calhar nós vamos ter um PEC 2 e um PEC 3”, acrescenta o empresário.

“É uma aposta que, na minha opinião, tenta fazer a bissectriz entre aquilo que era necessário e aquilo que o governo prometeu nas eleições. É relativamente optimista no que diz respeito às previsões de crescimento, com a taxa de crescimento potencial da economia portuguesa. Não se percebe muito bem, sem anunciar medidas especiais para esse efeito, como é que se pode prever uma taxa de crescimento do Produto de 1,7% em 2003”, refere.

“E, por outro lado, no que diz respeito à redução do défice, ele continua a assentar, em boa parte, no aumento das receitas fiscais e não no controlo da despesa corrente primária, como na minha opinião deveria ser”.

Pedro Ferraz da Costa defende que, além do congelamento dos salários, devia ser equacionada a criação de mecanismos de poupança obrigatória. “As pessoas recebiam o dinheiro, não o podiam consumir mas ficavam com ele, e isso podia amanhã vir a ser mobilizado a 2, a 3 ou a 4 anos de distância ou podia vir a acrescentar a um fundo de capitalização que lhes melhorasse as reformas. Isso, aliás, já aconteceu em Portugal com o 13º mês no segundo acordo com o Fundo Monetário Internacional”, salienta.

“Vamos ter de vender tudo se não começarmos a poupar”

“Nós vamos ter de vender tudo se não começarmos a poupar. A Cimpor é uma e a seguir irão outras. Aliás, as entradas de capitais angolanos têm significado já isso”, adverte o empresário no programa “Este Sábado”.

“Há muito tempo que estamos a armar-nos em ricos”, diz, confirmando a Rosário Lira que concorda plenamente com a expressão de Belmiro de Azevedo. “E não me parece que fosse impossível conceber a vida com os níveis de despesa pública e de benefícios sociais e de salários que tínhamos há 10 ou 15 anos atrás”, adianta.

Relativamente às comparações que têm sido feitas entre Portugal e a Grécia, Ferraz da Costa é peremptório: “se continuarmos a acumular um desequilíbrio externo de cerca de 10% ao ano, é evidente que chegaremos à mesma situação [que a Grécia] se não a invertermos antes. Estou convencido que nós temos condições de inverter. Agora, isso implicava políticas diferentes em muitas áreas e este PEC que o governo apresentou não me parece que seja ainda um ponto de viragem nessa política económica”.

O empresário diz ainda que “somos capazes de fazer o trabalho de casa sozinhos sem intervenção externa”. Mas se for preciso uma pressão externa para resolver o problema e evitar o empobrecimento, “pois que venha”, desafia.

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