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"É Portugal, e não a Grécia, que coloca o maior problema existencial à Zona Euro"

A conclusão é do editor de Economia Internacional do "Telegraph", o jornal de referência com maior tiragem no Reino Unido. O artigo está a suscitar controvérsia, com o autor a ser acusado de fazer uma análise enviesada.

Eva Gaspar egaspar@negocios.pt 19 de Abril de 2010 às 10:25
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A conclusão é do editor de Economia Internacional do “Telegraph”, o jornal de referência com maior tiragem no Reino Unido. O artigo está a suscitar controvérsia, com o autor a ser acusado de fazer uma análise enviesada.

“É Portugal, e não a Grécia, que coloca o maior problema existencial à Zona Euro”, escreve Ambrose Evans-Pritchard, num artigo ontem publicado em que se questiona se, depois dos gregos, deverão os alemães resgatar também o Estado português.

O autor concede que Portugal “não fez (tanta) batota” como a Grécia em torno dos seus números de endividamento, mas considera que o país geriu mal o seu processo de entrada na moeda única, aderiu com uma taxa de câmbio excessivamente elevada e não soube adoptar-se a um contexto de moeda forte e taxa de juro única, pondo em causa – mais do que a Grécia – os alicerces e os pressupostos da união monetária europeia.

Evans-Pritchard usa argumentos que têm sido sobejamente referidos por economistas portugueses. E recorda os avisos lançados na semana passada por economistas proeminentes, como Simon Johnson, ex-economista-chefe do Fundo Monetário Internacional, e Nouriel Roubini, segundo os quais Portugal é o “próximo no radar” dos mercados e pode mesmo ser forçado a abandonar a Zona Euro, antes de concluir que o país está na linha da frente para ser arredado da união monetária, porque a Alemanha não vai tolerar resgatar mais Estados.

O editor sublinha ainda que Portugal tem uma dívida total acumulada equivalente a 239%, que compara com 123% na Grécia – não referindo, porém, que fonte utilizou para fazer a comparação. E sustenta: “Os últimos dois anos ensinaram-nos que os excessos dos privados acabam por ser, de uma forma ou de outra, suportados pelos contribuintes” e que esse valor está agora na “zona de perigo, acima dos 300%”.

O artigo foi publicado na edição de ontem do “Telegraph” e gerou mais de duas dezenas de comentários na edição online do jornal, a maioria dos quais questionando os números apresentados e fazendo referência à leitura enviesada e preconceituosa que, ainda na semana passada, foi referida pelo ministro Teixeira dos Santos para qualificar os artigos então publicados sobre Portugal por economistas anglo-saxónicos.

Um dos comentários refere que Portugal “é uma distracção para os grandes elefantes brancos chamados dívida do Reino Unido e dos Estados Unidos”.

Um outro bate na mesma tecla, mas de um ângulo diferente. Recorda o processo que está a ser movido contra o Goldman Sachs pelas autoridades norte-americanas, para concluir que “o sistema financeiro (anglo-saxónico) está quebrado, assim como os países que o acolhe” e que “em breve o problema dos PIGS – o acrónimo pouco simpático para Portugal, Irlanda, Grécia e Espanha – será irrelevante”.

Outro leitor refere que a dívida pública e privada do Reino Unido já está “confortavelmente acima dos 400%”, pelo que, se esse é um critério para condenar a viabilidade de Portugal e da Grécia, então a mesma conclusão deve ser retirada para a economia britânica.

Independentemente do mérito dos argumentos usados, incontornável é que Portugal entrou no “radar” dos economistas e dos meios de comunicação, sobretudo britânicos.

Em Fevereiro, o mesmo acontecera com Espanha, obrigando a ministra das Finanças Elena Salgado a deslocar-se a Londres e a falar directamente com a Imprensa – designadamente com o director do “Financial Times”, que corrigiu significativamente a linha editorial do jornal nas análises subsequentes sobre o país vizinho. Será que o Governo português vai ter de percorrer a mesma “via sacra”?

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