Economia "É uma pouca vergonha"

"É uma pouca vergonha"

"Mais vale dizer que está aberto o leilão à corrupção, porque é isto mesmo que se trata. É uma pouca vergonha. É uma provocação". Foi desta forma que João Cravinho, ex-deputado do PS classificou ontem a nova lei do financiamento dos partidos políticos.
João D'Espiney 06 de maio de 2009 às 11:25
"Mais vale dizer que está aberto o leilão à corrupção, porque é isto mesmo que se trata. É uma pouca vergonha. É uma provocação”. Foi desta forma que João Cravinho, ex-deputado do PS classificou ontem a nova lei do financiamento dos partidos políticos.

Falando na “Edição da Noite” da Rádio Renascença, o antigo ministro socialista manifestou-se indignado com as alterações aprovadas no Parlamento a semana passada.
“Abrir a porta a uma entrada de dinheiro 1.250.000 euros, sem qualquer fiscalização sem qualquer contraprova? É uma coisa inaudita. É a porta aberta a todas as corrupções e não me digam que é por causa da Festa do Avante. Isso é um argumento da carochinha”, afirmou.


“O que é preciso é regulamentar e fiscalizar directamente, no próprio local e na hora exacta, em tempo real” e dessa forma apurar “qual era o resultado líquido dessa festa ou de outras que outros partidos viessem a fazer”, defendeu João Cravinho, que apelou à intervenção do Presidente da República, por considerar que está em causa “um atentado ao bom funcionamento das instituições democráticas”.

“Espantar-me-ia que o Presidente da República achasse isto tudo bem e não tivesse qualquer reparo a fazer”, acrescentou.

O actual presidente do Banco Europeu para a Reconstrução e Desenvolvimento (BERD) criticou também os deputados por não terem aproveitado a oportunidade para regulamentar o financiamento das campanhas internas para as lideranças partidárias, classificando essa atitude como “autismo completo” .

“Se é possível alguém ou um grupo ou vários reunirem-se, ou alguém por si só financiar uma campanha de 1 milhão, ou de 2 milhões, ou de 30 milhões de euros para conquistarem um partido chave, estão a dizer que é o poder a saque e ainda por cima barato”.

Comprar “uma liderança de um partido é uma hipótese que, na sua opinião, é “uma possibilidade muito real” e uma “ideia que já ocorreu a muito boa gente”.

O vice-presidente da bancada parlamentar socialista, Ricardo Rodrigues, já reagiu às declarações de João Cravinho, afirmando que o ex-deputado desconhece a nova lei.
“Não há a entrada de um cêntimo em nenhum partido que seja sindicável pelo Tribunal de Contas [e Constitucional]”, garantiu o dirigente do PS.

“A entrada de dinheiro vivo corresponde sempre a uma conta específica em relação a uma receita”, explicou Ricardo Rodrigues, especificando que “a Festa do Avante é o símbolo daquilo que nós pretendemos com a entrada de dinheiro vivo que o eng. Cravinho critica”.
“O Partido Comunista terá de fazer um anexo específico desta conta, dizendo qual a despesa que teve com a festa – com os actores, o café, o pão, tudo. E isso é sindicável pelo Tribunal Constitucional”, esclareceu ainda o deputado.




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