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"Em muitas áreas do pensamento económico houve um retrocesso"

O Nobel da Economia de 2008, Paul Krugman, defendeu hoje que houve um "retrocesso intelectual" em muitas áreas do pensamento económico durante as últimas décadas. E que a crise que eclodiu em 2008 evidenciou estas debilidades, que tiveram "consequências muito negativas".

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"Ficámos mais estúpidos", afirmou Krugman, que veio a Lisboa receber doutoramento honoris causa por três universidades diferentes. E lamentou-se: "Fomos menos que úteis (durante a crise). Foi difícil aceitar o falhanço da profissão".

Para Krugman, a crise mostrou que grande parte do conhecimento acumulado pela profissão desde a Grande Depressão tinha sido esquecido por uma grande franja da academia. E deu como exemplos as contribuições de Irving Fisher, que explicou o impacto da deflação numa crise, e de John Maynard Keynes, que mostrou como uma economia pode permanecer muito tempo a funcionar abaixo do seu potencial.

"Claramente, ninguém poderia ter previsto uma crise financeira em 2008", disse Krugman. "Mas a profissão devia estar preparada para dar uma resposta à crise. Tínhamos os instrumentos e muito conhecimento acumulado. Devíamos ter falado a uma só voz. Não o fizemos", afirmou.

Por causa disto, defendeu o académico de Princenton, várias economistas sofreram "consequências muito negativas” de políticas de austeridade e preocupações exageradas com a subida da inflação. Quem tinha “estudado macroeconomia e história económica", defendeu, sabia que a inflação e juros não iriam subir como temiam muitos analistas.

"E era nesta situação", lamentou-se, "que o mundo mais precisava de economistas". "Foi para estes momentos que a profissão de economista foi criada. Não estivemos à altura".
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