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"Nós só não queremos que o dinheiro dos europeus desapareça num poço sem fundo"

Ficar no euro, mas abandonar a austeridade. Porque é preciso investimento que recupere a economia helénica. É o que defende novamente Alexis Tsipras, o líder da Coligação da Esquerda Radical, que desceu para segundo lugar nas mais recentes sondagens para as eleições de 17 de Junho.

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Quebrar o acordo que une a Grécia à troika não conduz o país para fora do euro. “Não vejo nenhuma contradição nisso”, garante Alexis Tsipras, líder do Syriza, a Coligação da Esquerda Radical, a segunda força política mais votada nas eleições de 6 de Maio. “Nós apenas não queremos que o dinheiro dos cidadãos europeus desapareça num poço sem fundo”.

O poço sem fundo, para Alexis Tsipras, é a injecção de dinheiro dos europeus no programa de austeridade. Para o líder do Syriza, o que é preciso é investir no crescimento - o que não está a acontecer no actual programa. Aliás, a expressão "poço sem fundo" para o actual programa tinha sido já utilizada por Tsipras na semana passada: “Até quando é que os contribuintes alemães vão colocar dinheiro num poço sem fundo?”, questionou-se.

Para Alexis Tsipras, é essencial que a austeridade acabe, mas também é essencial que Atenas continue no euro. “Estamos a tentar convencer os nossos parceiros europeus que também é do seu interesse levantar, finalmente o ‘diktat’ da austeridade”, disse numa entrevista publicada na edição online internacional da revista “Der Spiegel”.

O líder do Syriza tem mostrado uma grande oposição à austeridade e ao programa de resgate que Atenas tem de cumprir para receber a ajuda externa por parte do Fundo Monetário Internacional (FMI) e da União Europeia. Com isso, tem conseguido conquistar bastante espaço no meio mediático.

Se Atenas for empurrada para mais austeridade, não será capaz de devolver dívida

“Precisamos de políticas que não destruam a economia grega mas que permitam, isso sim, o crescimento”, afirmou o jovem político de 37 anos. “Se o percurso da austeridade não for alterado, vai conduzir à completa destruição da economia grega. Isso iria, claro, ser um perigo para o euro”, alertou Alexis Tsipras, na entrevista, feita em Berlim, depois da viagem que fez, na semana passada, a Paris.

E lançou um aviso: “Nos dias de hoje, os sistemas financeiros de todos os países estão tão intimamente entrelaçados que não é possível limitar a crise geograficamente. É um problema de todos os países e de todas as economias nacionais”.

Uma quebra da Grécia poderá acontecer se o país for “novamente empurrado e chantageado” relativamente a um programa “que falhou de um modo tão óbvio”, nas palavras do dirigente da força política que liderou as sondagens após as eleições de 6 de Maio mas que, este fim-de-semana, caiu para o segundo lugar, atrás do conservador Nova Democracia.

Se for imposta mais austeridade, voltou a frisar Tsipras, “não será preciso muito tempo até que a Grécia deixe de ser capaz de pagar aos credores”. Para o líder do Syriza, os alicerces da economia helénica podem ser destruídos e, se isso se verificar, a culpa não poderá ser apenas dos gregos mas também de “certas forças políticas na Europa – por exemplo, de Angela Merkel”.

Tsipras usa os outros como bode expiatório?

Questiona a “Der Spiegel”: Não usa os outros sempre como bode expiatório? “Isso não é correcto”, respondeu, dizendo que também olha para os gregos com um olhar crítico.

“Temos uma grande responsabilidade por esta situação. Aceitámos políticos que destruíram a base industrial do país e criaram um estado corrupto”, exemplificou. “Também temos a responsabilidade de mudar tudo isso neste momento”, afirmou Alexis Tsipras na entrevista.

Mas essa não é a única razão da crise, segundo Tsipras. “A crise financeira e da dívida não é unicamente um problema grego – caso contrário, não haveria elevados défices públicos em outros países como Itália, Espanha, Portugal e Irlanda”.

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