Outros sites Cofina
Notícias em Destaque
Notícia

"O dilema de Lisboa é uma lição para a Europa"

Governo enfrenta agora "o seu maior teste", mas tem de conseguir continuar a andar sobre a "corda bamba" que oscila entre os limites democráticos e a necessidade de reformar. FT defende descida "significativa" da TSU para as empresas porque os custos do trabalho persistem "demasiado elevados".

Eva Gaspar egaspar@negocios.pt 26 de Setembro de 2012 às 11:48
  • Assine já 1€/1 mês
  • 40
  • ...
O Financial Times não traz hoje notícias de Portugal, mas faz opinião com Portugal, abrindo a sua coluna de editorial na edição impressa com um texto que volta a reflectir as mudanças ocorridas no país desde que o Governo apresentou a controversa proposta de mexer na Taxa Social Única (TSU), com o caso português a servir para o jornal confrontar os pedidos de firmeza, ainda ontem reiterados pelo presidente do BCE, com as dificuldades sentidas pelos Governos em os levar à prática.

Escreve o jornal que a intenção de baixar a TSU para as empresas e compensar a quebra de receita com o seu aumento para os trabalhadores não estava apenas predestinada a ser “politicamente tóxica”, como “arriscava deprimir o consumo, agravando a espiral recessiva em que Portugal caiu”, tendo Passos Coelho sido forçado a proceder a um “recuo embaraçoso”.

Mas, acrescenta o jornal de referência do mundo das finanças, descer “significativamente” a TSU para as empresas permanece uma proposta “louvável”. Até porque, embora tendo descido, os custos unitários do trabalho continuam a ser “demasiado elevados”. “O resultado imediato (de descer a TSU) seria tornar Portugal mais competitivo no mercado internacional”, refere o FT, ao acrescentar que Portugal só vai conseguir aumentar o seu potencial de crescimento através da promoção do sector exportador.

Tendo agora de encontrar outras formas de financiar a descida da TSU para as empresas (aumentar os impostos sobre o imobiliário ou a carga fiscal sobre os rendimentos mais elevados são alternativas aventadas pelo editorialista ), “o que Lisboa não pode fazer é reduzir a ambição do seu plano”. “A criação de emprego só será promovida se os encargos com a Segurança Social suportados pelas empresas forem significativamente cortados”.

Intitulado “O dilema de Lisboa é uma lição para a Europa”, o editorial termina com a afirmação de que o Governo português está perante “o seu maior teste”, porque à medida que o descontentamento aumenta, mais difícil fica explicar o porquê das reformas. Passos Coelho tem, por isso, de conseguir continuar a andar sobre uma “corda bamba” que oscila entre os limites democráticos e necessidade de avançar nas reformas – é o “único caminho para Portugal”, opina o jornal.
Ver comentários
Saber mais FT dilema Portugal Europa TSU
Outras Notícias