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"O PEC vai na direcção correcta mas é pouco ambicioso nos cortes de despesa"

Das é entre os especialistas ouvidos pelo Negócios o mais céptico quanto ao plano de consolidação orçamental português. Pensa que não será cumprido, porque tem hipóteses demasiado optimistas do lado do crescimento e da receita e é curto nos cortes de despesa.

Rui Peres Jorge rpjorge@negocios.pt 12 de Março de 2010 às 10:39
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Das é entre os especialistas ouvidos pelo Negócios o mais céptico quanto ao plano de consolidação orçamental português. Pensa que não será cumprido, porque tem hipóteses demasiado optimistas do lado do crescimento e da receita e é curto nos cortes de despesa.

O economista da Roubini Global Economics defende que o Governo deveria ter sido mais além para evitar cortes de “rating” e colocar a economia portuguesa numa situação sustentável.


Que avaliação faz do plano de austeridade português?

O plano vai na direcção correcta, mas é demasiado ambicioso nas projecções de crescimento e pouco ambicioso nos cortes de despesa. Em termos de crescimento, parece difícil crescer tanto sem implementar reformas estruturais no mercado de trabalho, nos sérvios e em outras áreas. Isto é essencial para resolver os problemas de competitividade. Do lado orçamental, os cortes de despesa podem ser difíceis de implementar e dolorosos mas, ao contrário das receitas, os gastos são uma variável controlável. Isto pode parecer duro, mas nós sabemos que isto é o que mais provavelmente funcionará.

Os objectivo de défice e divida não serão atingidos?

Pensamos que a dívida irá continuar a crescer para níveis superiores aos projectados pelo Governo. Portugal não está sozinho neste campo. Isso irá acontecer em todos os países do “Club Med”, com excepção, talvez, da Itália.

Não há um risco, com medidas de consolidação mais duras, de a economia cair de nova em recessão?

O problema é que na periferia da Zona Euro há problemas de competitividade e desequilíbrios orçamentais que levarão tempo a resolverem-se. Se o programa de consolidação não for suficientemente credível, há o risco de, no futuro, não só Portugal precisar de mais cortes de despesas, como de enfrentar custos de financiamento muito mais elevados. O problema nos países do Sul da Europa está longe de estar resolvido.

Acha que as agência de notação de risco vão inevitavelmente cortar o rating português?

Não necessariamente. Poderão manter o “rating” por algum tempo, ver como as coisas correm, e se correrem pior que o projectado, o que achamos que é o mais provável que aconteça, então cortam-no. E então Portugal terá custos de financiamento mais elevados e precisará de adoptar mais cortes de despesa. Avançar com mais ambição logo à partida poderia evitar estes contratempos e aumentar as probabilidades de sucesso.





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