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"Portugal, mesmo quando melhorar, não pode investir quase nada em recursos técnicos"

Belmiro de Azevedo critica a campanha das Presidenciais e diz que Portugal "está a pagar o custo" de muitas decisões de "vários"governos de gastar em projectos sem retorno.

Lusa 18 de Janeiro de 2011 às 14:40
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O empresário Belmiro de Azevedo criticou hoje o sistema de comunicação das campanhas eleitorais em Portugal, defendendo que o discurso político se resume a "três ou quatro frases" e que os políticos não são explicações nem fazem pedagogia.

Belmiro de Azevedo falava hoje em Lisboa na apresentação de um estudo do Projecto Farol, do qual o empresário é membro da comissão executiva, que concluiu os portugueses estão mal informados sobre o grau de desenvolvimento do país, desconfiam dos poderes instituídos e apontam, o estado como a figura central no desenvolvimento do país.

"Em campanha eleitoral regressa-se sempre ao mesmo. Há três ou quatro frases que enchem a campanha toda, não se dão explicações, não há pedagogia no sistema de comunicação", afirmou o empresário, justificando que esta é também uma das razões que contribui para a má informação dos portugueses concluída pelo estudo.

O empresário lembrou que existem em Portugal "muitos empresários e muitos políticos", mas ressalvou que, apesar disso, em campanha eleitoral, "só se vão buscar três ou quatro" e "só se consegue passar mensagens se repetir três vezes a mesma coisa em situações diferentes", o que o empresário considera que "empobrece enormemente" o debate político

No entanto, o empresário ressalva não se poder imputar a totalidade da responsabilidade quando, tal como conclui o estudo, a própria sociedade e os cidadãos se "desresponsabilizam e bloqueiam a maioria" das tentativas de reformas.

Belmiro de Azevedo criticou ainda os grandes projectos de Obras Públicas, como o novo aeroporto ou o TGV: "Portugal, mesmo quando melhorar, não pode investir neste momento quase nada em recursos técnicos. Não tem dinheiro, e vai ter menos. Ter estragado dinheiro em projectos sem retorno económico imediato é, e espero que não seja no futuro, um desastre. Tem de haver uma mudança total", defendeu.

O empresário criticou ainda as palavras dos políticos: "O discurso político é o de que temos dinheiro para fazer todos os projectos. Continuam a dizer que somos capazes de arranjar dinheiro. Primeiro não é verdade e esquecem de dizer que, quanto mais devemos, mais caro é o dinheiro e isso mata toda a economia".

Segundo Belmiro de Azevedo, o dinheiro "está a ser todo utilizado para dizer que o governo, o Estado não pode cair" e esta é a razão porque "a prioridade para consumir o dinheiro" é do Estado.

"É verdade, seria um desastre o Estado cair. A segunda prioridade é o sistema financeiro que é muito importante e seria um descrédito se o sistema financeiro caísse", afirmou o empresário, adiantando que a consequência destas duas prioridades é o de que "não há financiamento" da economia real.


"O que é mesmo verdade é que sem a economia real a funcionar, não precisamos de mais nada, pois tudo acaba", defendeu o empresário, acrescentando que Portugal "está a pagar o custo" de muitas decisões de "vários"governos de gastar em projectos sem retorno.

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