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"Portugal não tem autoridade política nem moral para recusar apoiar a Grécia"

Êrnani Lopes, presidente da Saer e ex-ministro das Finanças, considerou hoje que "Portugal não tem autoridade política nem moral para se recusar a apoiar a Grécia".

Negócios com Lusa 13 de Abril de 2010 às 13:21
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O presidente da Saer -Sociedade de Avaliação Estratégica e Risco, Êrnani Lopes, considerou hoje que "Portugal não tem autoridade política nem moral para se recusar a apoiar a Grécia".

O economista e ex-ministro das Finanças do governo do Bloco Central de meados da década de 80 manifestou-se a favor do envolvimento das autoridades portuguesas no plano concertado desenvolvido pela Zona Euro para apoiar a Grécia, com um empréstimo inicial na ordem dos 30 mil milhões de euros.

Sobre o Programa de Estabilidade e Contabilidade (PEC), Êrnani Lopes disse não achar "mal" as alterações introduzidas, mas que teme que estas se revelem insuficientes para alcançar os resultados desejados relativos ao equilíbrio das contas públicas.

O economista apontou a Irlanda como um exemplo possível a seguir. "Não acho mal tomarmos uma decisão como na Irlanda, não excluo essa hipótese de cortar salários e subsídios", disse. Quanto ao futuro, o relatório trimestral da Saer insiste que Portugal não tem alternativa "que não seja internacionalizar-se continuadamente e sem hesitações", apesar da actuação nem sempre ter sido nesse sentido.

A prioridade tem de ser dada às exportações, sendo fundamental a concretização da aposta na internacionalização das empresas, várias vezes anunciada, pelos decisores políticos, considera a sociedade liderada pelos economistas Êrnani Lopes e José Poças Esteves.

O relatório hoje divulgado sublinha que o crescimento económico "só é possível" através do aumento "das exportações, do investimento estrangeiro e das receitas de novos sectores como o turismo". Para que tal aconteça, a Saer defende que seja iniciada já em 2010 "um programa de acções e iniciativas que confiram maior visibilidade aos produtos nacionais, tanto nos mercados tradicionais, como nos mercados emergentes".

Os economistas defendem ainda que, face à actual situação, poderia se justificar "o estabelecimento de um programa de urgência" e ainda serem reequacionados certos aspectos do QREN (mesmo que tal implique a renegociação com Bruxelas). A Saer considera também que "gradualmente a linha estratégica para a internacionalização da economia nacional tornou-se desfocada".
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