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Rajoy desvaloriza 9-N e classifica consulta de “fracasso”

O primeiro-ministro espanhol reagiu finalmente à consulta popular sobre a independência da Catalunha classificando-a de “fracasso”, argumentando que dois terços dos catalães não participaram do processo. Rajoy garante que as pretensões de Mas podem apenas ser concretizadas através de uma reforma da Constituição espanhola.

Reuters
David Santiago dsantiago@negocios.pt 12 de Novembro de 2014 às 15:05
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O primeiro-ministro espanhol Mariano Rajoy reagiu finalmente ao processo de consulta cidadã realizado no passado domingo na região autonómica da Catalunha, classificando-o de "absoluto fracasso".

 

Citado pelo El Mundo, Rajoy considerou que a consulta popular em que 81% dos participantes catalães se pronunciaram favoravelmente pela criação de um Estado independente na Catalunha, acabou por resultar "num profundo fracasso do processo independentista".

 

Mariano Rajoy fez notar que os mais de dois milhões de pessoas que votaram no 9-N representam apenas um terço da população da Catalunha. "Dois em cada três catalães não atribuíram importância [à consulta popular]. Quando pretendiam uma demonstração de força, deram uma demonstração de debilidade", disse Rajoy em relação às autoridades da Catalunha.

 

"Não foi uma votação democrática. Foi um acto de propaganda política. Não houve consulta, foi um simulacro", analisou o chefe do Executivo espanhol.

 

A reacção do primeiro-ministro aos resultados da consulta popular de domingo tardou três dias, facto que Rajoy se escusou, porém, a explicar. Este intervalo temporal terá servido para o governante espanhol ponderar quais as alternativas que se abrem a Madrid para tentar conter os intentos independentistas da Generalitat, agora reforçados pela legitimação dos resultados deste domingo.

 

Rajoy não aceita referendo e garante como única alternativa a reforma constitucional

 

Numa conferência de imprensa, esta quarta-feira, Mariano Rajoy assegurou que está fora de questão a realização de um referendo vinculativo sobre a independência da Catalunha, tal como pretendido por Artur Mas, chefe do governo da Generalitat.

 

"O senhor Mas quer impor a celebração [de um acordo para] um referendo de verdade, mas isso não poderá acontecer", atirou Rajoy.

 

Rajoy assegura que a única forma de os independentistas da Catalunha alcançarem os seus objectivos passa pela reforma da Constituição espanhola. O primeiro-ministro de Espanha revelou ainda que foi dizendo isso mesmo ao longo das conversas que manteve com Mas.

 

"O parlamento da Catalunha tem competência para iniciar esse processo da reforma constitucional. Esse é o único caminho legal e [Artur] Mas sabe-o", afirmou Rajoy naquilo que poderia parecer uma aproximação à via defendida por Pedro Sánchez, secretário-geral do PSOE, logo na segunda-feira – a reforma da Constituição.

 

Mas desenganem-se aqueles que poderiam interpretar as palavras de Rajoy como uma cedência do actual governo de Madrid perante a consulta popular do 9-N. E Rajoy fez questão de não deixar lugar a dúvidas interpretativas.

 

"Eu e o meu partido (PP) vamos opor-nos a qualquer reforma da Constituição que inclua a autodeterminação [da Catalunha] e que, portanto, afecte a soberania nacional [de Espanha]", afiançou para deixar nova declaração de intenções em jeito de recado a Artur Mas que deu, esta seg8unda-feira, duas semanas para que Madrid desse início a um diálogo com a Generalitat tendo em vista a resolução da crise entre as duas capitais, a do reino espanhol e a da Catalunha.

 

"Não vou dialogar nunca sobre a soberania nacional", resumiu.

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