Funções do Estado  Reforma de Paulo Portas terá cortes de dois mil milhões de euros

Reforma de Paulo Portas terá cortes de dois mil milhões de euros

Previsões de Inverno da Comissão Europeia quantificam em 1,2% do PIB as medidas presentes na reforma do Estado que está a cargo do vice-primeiro-ministro.
Reforma de Paulo Portas terá cortes de dois mil milhões de euros
Bruno Simão/Negócios
Nuno Aguiar 25 de fevereiro de 2014 às 12:48

A meta de défice com que Portugal está comprometido para 2015 (2,5% do PIB) só poderá ser atingida se o Governo incluir uma nova vaga de medidas de austeridade nos seus planos para reformar o Estado. 

 

"Em 2015 espera-se que o saldo orçamental atinja os -2,5% do PIB. A previsão baseia-se na assunção de medidas discricionárias no valor de 1,2% do PIB que o Governo planeia especificar no contexto da Reforma do Estado", pode ler-se no relatório das Previsões de Inverno da Comissão Europeia.

 

Domingo, no discurso de encerramento do Congresso do PSD, Pedro Passos Coelho sublinhou a necessidade de um consenso com os partidos da maioria e da oposição no sentido de evitar um novo resgate ou programa cautelar. Um dos pedidos do primeiro-ministro foi no sentido de o PS aceitar sentar-se na comissão parlamentar de reforma do Estado, que a maioria criou no ano passado, mas que nunca chegou a tomar posse. "Será preciso pedirmos à ‘troika’ que nos diga as medidas que temos de tomar?", questionou o primeiro-ministro.

 

A resposta dos socialistas não se fez esperar. Ontem, na abertura das Jornadas Parlamentares do PS, Alberto Martins denunciou aquilo que considera ser "uma nova máscara de austeridade que querem continuar a impor aos portugueses". "Não contem connosco para isto, não contem com mais austeridade."

 

Paulo Portas ficou a cargo de planear esta reforma. No final de Outubro, o vice-primeiro-ministro apresentou o seu guião, depois de oito meses de adiamento. O documento com o lema "um Estado melhor",- composto por 112 páginas com letra grande (corpo 16) e largos espaçamentos entre as linhas - inclui 80 propostas em várias áreas e admite necessitar de um acordo com o PS e de uma revisão constitucional.

 

(Título da notícia alterado para clarificar que o valor da reforma diz respeito aos cortes)




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