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Comissão Europeia: Refugiados geram ligeiro crescimento na economia

Se a curto prazo a despesa pública da União Europeia pode aumentar, o impacto a médio prazo do fluxo de milhares de refugiados deverá ser positivo, graças à dinamização do mercado de trabalho, prevê a Comissão Europeia.

Basas, de Damasco, Síria, mostra uma fotografia da escola onde trabalhou como voluntário.
Srdjan Zivulovic/Reuters
Liliana Borges LilianaBorges@negocios.pt 05 de Novembro de 2015 às 20:10
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O fluxo de refugiados que está a chegar à Europa deverá provocar um impacto positivo, ainda que não seja muito significativo. A médio prazo, o impacto dependerá da integração no mercado de trabalho, diz a Comissão Europeia.

"O impacto pode ser positivo quando os migrantes estão bem integrados nos mercados de trabalho dos países de acolhimento", pode ler-se no relatório publicado esta quinta-feira, 5 de Novembro, e que constitui a primeira avaliação económica à chegada dos milhares de requerentes de asilo. Prevê-se que o impacto económico não seja significativo a médio prazo, representando um aumento entre 0,2 a 0,3% na economia europeia.

É previsível que o fluxo de refugiados se mantenha durante o Inverno: "dependendo da situação da Síria e dos seus países vizinhos durante os próximos tempos, bem como do sul asiático ou África, não é de excluir um aumento do fluxo de migrantes", acrescenta.

A Comissão prevê que mais 1,5 milhões de refugiados entrem na Europa em 2016 e que mais meio milhão de pessoas chegue em 2017. Assumindo que alguns pedidos de asilo serão rejeitados, a Comissão Europeia antecipa um aumento populacional que não deverá ultrapassar os 0,4%. Como consequência, a força de trabalho deverá aumentar cerca de 0,1% até ao final deste ano e 0,3% em 2016 e 2017.


Para os países de trânsito mais afectados, as previsões estimam que os efeitos se reflictam em 0,2% do PIB em 2015, estabilizando em 2016. Já nos países de destino, o impacto será igual em 2015, mas está previsto que aumente ligeiramente em 2016. Na Suécia, que detém o maior número de refugiados em percentagem com a população, espera-se que o impacto seja perto de 0,5%.

 

O impacto económico não pode ser ainda medido nem ser generalizado

Nas contas públicas, os resultados deverão ser diferentes para cada país, o que reflecte não apenas as diferenças de tamanho dos fluxos, mas também se se trata de um país de trânsito (isto é, de passagem e não o destino final), ou o país ao qual pedem asilo e se é ou não atribuído o estatuto de refugiado. Pesam ainda as diferenças no acesso ao mercado de trabalho do país de acolhimento e estará relacionado com as características do país de acolhimento e a sua capacidade de integração.

Para os Estados-membros com uma população envelhecida e com falta de mão-de-obra, o afluxo de refugiados na Europa pode equilibrar a sustentabilidade orçamental, tal como havia destacado Jean-Claude Juncker, presidente da Comissão Europeia, que alertava para a possibilidade de cobrir falhas em determinadas áreas laborais.

No entanto, se esse afluxo de refugiados não for bem gerido pode agravar o equilíbrio orçamental, alerta a União Europeia. Além disso, o relatório adverte que, por si só, a chegada de refugiados não resolve o problema do envelhecimento populacional europeu.

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