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Renzi diz que “está do lado” da França e envia recado a Merkel

O primeiro-ministro italiano afirmou apoiar a decisão do Governo francês de protelar novamente o cumprimento das regras europeias estabelecidas no Pacto de Estabilidade e Crescimento. Matteo Renzi recordou a Merkel que “ninguém deve tratar os outros países como se fossem estudantes”.

Tony Gentile/Reuters
David Santiago dsantiago@negocios.pt 02 de Outubro de 2014 às 13:44

Os principais líderes europeus aparentam estar novamente desalinhados. Depois dos elogios feitos há algumas semanas por Angela Merkel, chanceler da Alemanha, às reformas propostas tanto pelo Governo francês como pelo italiano, esta quarta-feira a governante alemã instou os parceiros europeus a cumprir "os seus deveres". Isto depois de tanto Paris como Roma terem adiado o cumprimento das metas do défice.

 

A resposta a Merkel chegou já esta quinta-feira pela voz de Matteo Renzi, primeiro-ministro italiano. Em Londres, onde se encontra reunido com o primeiro-ministro britânico David Cameron, Renzi deu o seu apoio à decisão de Paris de adiar para 2017 o cumprimento do objectivo de baixar o défice, em percentagem do PIB, para menos de 3%, tal como previsto pelo Tratado de Maastricht. Apesar do incumprimento, o Governo francês anunciou que se recusa a aplicar mais medidas de austeridade.

 

"Respeito a decisão de um país livre e amigo como a França", afirmou Renzi que de seguida esclareceu qual a sua posição perante esta questão. "Eu estou do lado de François Hollande e de Manuel Valls", assegurou citado pelo La Repubblica.

 

Também Itália, depois de esta quarta-feira ter revisto em baixa as perspectivas económicas, estimando uma contracção do PIB de 0,3% em 2014, em vez do avanço de 0,8% anteriormente antecipado, e apesar de manter a meta de um défice de 3% do PIB este ano, anunciou que em 2015 o défice será de 2,9% e não os 2,1% até aqui assumidos como objectivo. A justificação dada foi a deterioração das condições económicas nos últimos meses. França e Itália defendem mesmo que a Alemanha adopte uma política de investimentos que empurre a Europa para o crescimento.

 

Já em relação a Angela Merkel, o líder transalpino voltou a adoptar uma linha dura para enfrentar aquilo que já classificou de directivas alemãs. "Ninguém deve tratar os outros países como se fossem estudantes", atirou Renzi.

 

Apesar do apoio conferido a Paris e de também a Itália ter solicitado o adiamento do cumprimento da meta dos 3%, Renzi insistiu na garantia de que "Itália respeitará o vínculo dos 3%" em 2014.

 

Cameron defende uma Europa "mais flexível"

 

O primeiro-ministro inglês, já depois de ouvir Renzi falar na necessidade de a União Europeia ser "mais eficaz", admitiu que era importante que a "Europa fosse mais flexível", segundo cita o Corriere della Sera.

 

Matteo Renzi revelou que a sua viagem até Londres servirá para divulgar junto da City londrina os "resultados das nossas reformas", pelo que durante esta tarde apresentará junto da comunidade financeira britânica os dez pontos que permitem, no seu entender, averiguar o ritmo das reformas já empreendidas pelo seu Executivo.

 

Cameron recebeu Renzi sublinhando as "relações quentes e calorosas" entre os dois países. No meio desta troca de elogios houve ainda espaço para Renzi elogiar o resultado alcançado no referendo escocês, facto que considerou ser "muito importante para a Europa". Também Itália enfrenta alguma instabilidade ao nível da conservação da coesão interna, especialmente por parte do norte do país que se diz "cansado" de sustentar as a zona sul do país, conhecida como o Mezzogiorno.

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