Economia Revista do ano: Fevereiro

Revista do ano: Fevereiro

A banca portuguesa regista prejuízos de 1.100 milhões de euros. Passos pede aos portugueses para não serem "piegas" e fantasma do Grexit termina com nova ajuda de 130 mil milhões.
Ana Luísa Marques 11 de dezembro de 2012 às 00:01

Os momentos nacionais

A 10 de Fevereiro, uma conversa privada entre Vítor Gaspar e Wofgang Schäuble é gravada e transmitida pela TVI. Nesta troca de palavras, os dois responsáveis falam sobre o programa de ajuda a Portugal. Schäuble garante a Gaspar que Portugal pode contar com a Alemanha para flexibilizar o programa de reformas e consolidação orçamental que foi imposto a troco do empréstimo de de 78 mil milhões de euros. "Se no final precisarmos de fazer um ajustamento ao programa [português], depois de tomadas as grandes decisões sobre a Grécia. Isso é essencial... Mas depois se for preciso um ajustamento do programa português nós estaremos preparados", disse Wofgang Schäuble ao seu homólogo português. "Ficamos agradecidos", respondeu Gaspar. 

6 de Fevereiro Três dos maiores bancos portugueses fecharam 2011 com prejuízos de 1.100 milhões de euros.

Quase 1.100 milhões de euros. É este o valor acumulado dos prejuízos registados por três dos maiores bancos portugueses - BCP, BPI e BES - no ano passado.

E, mesmo subtraindo a esta soma os lucros do Santander Totta, as perdas dos quatro grandes grupos financeiros privados superam a fasquia dos mil milhões de euros. Números que reflectem, sobretudo, factores extraordinários. Sem estes eventos, os resultados teriam sido maus, mas positivos.

6 de Fevereiro António Borges é nomeado para gerir as privatizações. O primeiro-ministro, Pedro Passos Coelho, escolheu António Borges, ex-director do Fundo Monetário Internacional (FMI), para ser o "homem forte" do plano de "transformação estrutural" do Estado. O antigo gestor do Goldman Sachs não estará sozinho. Coordenará uma equipa com a incumbência de fazer a ponte entre o Governo e a troika em matérias como privatizações, parcerias-público-privadas (PPP), reestruturação do sector empresarial do Estado e situação da banca. 
    • 15 de Fevereiro Tem início a terceira avaliação da troika. Os chefes da missão do FMI, Comissão Europeia e Banco Central Europeu chegam a Lisboa a 15 de Fevereiro para fazer um terceiro exame ao País e para autorizar o empréstimo de mais 15 milhões de euros ao Estado português. Portugal passa no exame mas troika critica rendas na energia.
    • 20 de Fevereiro Jorge Tomé no Banif. O até aqui administrador da Caixa Geral de Depósitos é o nome escolhido para presidente executivo do grupo fundado por Horácio Roque.
    • 23 de Fevereiro Privatização da REN. No âmbito da privatização de 40% da REN, os chineses da State Grid ficam com 25% e a Oman Oil adquire 15%. O Estado reduz a sua participação para 11,1%. O acordo de compra e venda foi assinado a 22 de Fevereiro e o encaixe de 592 milhões de euros permite ao Estado cumprir 60% da meta do plano de privatizações. Rui Vilar e Luís Palha são propostos para o Conselho de Administração da empresa.  
    • 27 de Fevereiro Paul Krugman em Portugal. O Nobel da Economia de 2008 recebeu, em Lisboa, um triplo doutoramento concedido pelas universidades Clássica, Nova e Técnica. Numa entrevista conjunta ao Negócios e à RTP, Krugman defende que é necessário cortar salários. "(...) Portugal tem de ser mais competitivo em relação ao resto da Zona Euro. E isso significa que se conseguirem tirar ganhos de produtividade de um cahpéu, isso seria óptimo. Na prática significa que, no mínimo, os salários portugueses têm de crescer mais lentamente que os salários no resto da Europa. Na prática, será necessário algum abrandamento. De uma forma ou de outra, terá de haver um ajuste substancial.  
    • Devemos persistir. Ser exigentes. Não sermos piegas.
      Pedro Passos Coelho a 7 de Fevereiro
          • Os momentos internacionais
            • 15 de Fevereiro Robert Zoellick anuncia que vai abandonar a liderança do Banco Mundial. Nomeado por George W. Bush, em 2007, Zoellick anuncia que vai abandonar o cargo a 30 de Junho de 2012. É substituído pelo norte-americano de origem sul coreana, Jim Yong-kim.

            • 19 de Fevereiro Rajoy enfrenta primeira vaga de protestos. Dezenas de milhares de espanhóis responderam ao apelo dos sindicatos e inundaram as ruas de várias cidades de Espanha contra as alterações ao Código de Trabalho. UGT e CCOO, as duas centrais que organizaram as manifestações, exigem que o Governo recue nas suas intenções, sob pena de instigarem uma "mobilização crescente" que poderá culminar numa greve geral.

              21 de Fevereiro Europa aprova nova ajuda à Grécia 130 mil milhões de euros. Na madrugada de terça-feira, dia 21 de Fevereiro, os ministros das Finanças da Zona Euro deram "luz verde" a um novo pacote de ajuda à Grécia no valor de 130 mil milhões de euros. Decisivo para o desbloquear do novo empréstimo foi o sucesso das negociações com o sector privado. Quando todos esperavam assumir perdas de 50%, um "volte-face" de última hora atirou este valor para 53,5%, diminuindo assim o valor nominal da dívida grega. A taxa de juros dos títulos também foi reduzida. 
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            • Ao longo dos próximos dias o Negócios vai recordar os momentos mais importantes de cada mês deste ano.



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