Política Rio: Carlos Costa "deve sair pelo próprio pé" se não preenche os critérios de idoneidade

Rio: Carlos Costa "deve sair pelo próprio pé" se não preenche os critérios de idoneidade

O presidente do PSD não pede a exoneração do governador do Banco de Portugal, optando por colocar o ónus da decisão no próprio Carlos Costa. Rui Rio considera que o antigo administrador da CGD "deve sair pelo próprio pé" se participou nas decisões que representaram operações ruinosas para o banco público.
Rio: Carlos Costa "deve sair pelo próprio pé" se não preenche os critérios de idoneidade
David Santiago 13 de fevereiro de 2019 às 17:33
Rui Rio considera que o governador do Banco de Portugal "está obviamente numa situação fragilizada", até porque dizer o contrário seria "hipócrita", mas exclui afirmar-se a favor ou contra o seu afastamento do banco central. No entender do presidente do PSD, cabe a Carlos Costa aferir se preenche, ou não, os critérios de idoneidade para se manter à frente do BdP. Se o antigo administrador da Caixa Geral de Depósitos concluir que não preenche, "deve sair pelo próprio pé", sustenta Rio. 

"O dr. Carlos Costa sabe exatamente o que fez quando foi administrador da CGD. Sabe se aprovou ou desaprovou, se participou ou não participou nas reuniões que vieram a dar créditos absolutamente ruinosos para a CGD e os portugueses. Ele sabe o que fez, nós podemos não saber", começou por dizer o líder social-democrata à saída de uma reunião com os sindicatos dos professores. 

Rio acrescentou que Carlos Costa "conhece bem os critérios que o BdP e o BCE têm para aferir a idoneidade dos administradores bancários, portanto está em condições de saber se aquilo que fez encaixa ou não encaixa nos parâmetros de idoneidade a que ele próprio recorre para avaliar os outros". 

Aqui chegado, o presidente do PSD considera que há dois caminhos possíveis. Se o governador do BdP "estiver de consciência absolutamente tranquila, deve continuar" à frente do banco central. Porém, "se tem consciência de que participou naquelas decisões ruinosas, deve sair pelo próprio pé". Se participou nessas decisões, é "insustentável" prosseguir na função de governador, mas se "estiver com a consciência completamente tranquila" deve "ficar no lugar.

Considerando que a polémica em torno da continuidade ou exoneração de Carlos Costa "não é boa", Rio defende que o "pior que pode acontecer é [Carlos Costa] não fazer nada" para depois se descobrir em sede de comissão parlamentar de inquérito (CPI) à gestão da CGD que afinal o governador participou nas decisões que "deram créditos para comprar ações da Cimpor e do BCP".

A declaração do presidente do PSD surge na véspera de o Parlamento debater a criação de uma nova CPI para avaliar as decisões tomadas pelas administrações da CGD entre 2000 e 2015.

O antigo autarca portuense deu assim um passo em frente face à posição ontem assumida pelo deputado Leitão Amaro. O parlamentar social-democrata classificou de "mau serviço" o pedido de exoneração feito pelo Bloco de Esquerda, embora frisando que para o PSD "não há intocáveis e todos estão sujeitos a escrutínio e serão responsabilizados nos termos que venham a ser apurados pela comissão de inquérito".

Agora, em vez de optar por esperar pelas conclusões da CPI, Rio coloca o ónus no próprio Carlos Costa, que deve avaliar se preenche ou não os requisitos necessários para continuar à frente do BdP. 


Já esta quarta-feira, o presidente do PS e líder parlamentar socialista, Carlos César, criticou duramente a "passividade" que marcou a atuação de Carlos Costa como governador, porém excluiu pedir a sua exoneração porque isso acarretaria um processo longo que só deveria ficar fechado por altura do fim do mandato do líder do BdP, em maio do próximo ano. Seja como for, tanto o PS como o PSD afastam a possibilidade de apoio ao pedido de demissão de Carlos Costa.

A justificar este debate está o alegado envolvimento de Costa nos créditos concedidos pela Caixa quando este era administrador do banco público (2004-2006). Note-se que o governador já garantiu que enquanto administrador da CGD não tinha quaisquer responsabilidade nas "áreas de crédito, risco, acompanhamento de clientes ou de controlo e auditoria interna", tutelando somente os setores de marketing e internacional do banco.

(Notícia atualizada pela última vez às 18:09)



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