Política Rio dá gás a acordos para a descentralização e fundos europeus

Rio dá gás a acordos para a descentralização e fundos europeus

Depois de um encontro de duas horas e meia com o primeiro-ministro, o novo presidente do PSD anunciou que vai dar prioridade à negociação do programa de descentralização e do próximo quadro comunitário. Rui Rio anuncia coordenador para a descentralização ainda esta terça-feira.
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David Santiago 20 de fevereiro de 2018 às 14:47

Após duas horas e meia de reunião com António Costa, Rui Rio admitiu que consigo como presidente do PSD haverá uma "cultura diferente", mais favorável a entendimentos, o que "pode ser uma nova fase" no relacionamento dos dois maiores partidos.

A confirmar isso mesmo, o líder social-democrata disse ter acordado com o primeiro-ministro iniciar o quanto antes conversações com vista a consensos sobre o programa de descentralização e o próximo quadro comunitários de fundos europeus pós-2020. Ficaram também já definidas, embora com menor carácter de urgência, conversas sobre reformas da Segurança Social e da justiça.

No final do primeiro encontro entre Costa e Rio desde que este assumiu formalmente a liderança do PSD, o novo presidente social-democrata revelou que na conversa com o primeiro-ministro falaram sobretudo do que podem ser medidas positivas para o país. Para já, disse Rio, será dada prioridade à descentralização e à consensualização das prioridades para o quadro comunitário 2030, precisamente os dois temas que ontem o primeiro-ministro tinha definido como prioritários no diálogo com o PSD. Também o Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, tem insistido na importância de consensos para a negociação dos fundos europeus. 

Sobre o programa de descentralização, que esta segunda-feira Costa disse que está há mais de um ano está pendente na Assembleia da República", Rui Rio disse que será feita uma apreciação ao que está em cima da mesa mas avisou que quer ir mais além. "A minha ideia é que se possa ir para lá disso. Por isso é que a reunião demorou mais tempo", explicou notando que ainda será necessário esperar pelo ponto de vista dos órgãos do partido. "O PSD não sou eu. O PSD é muito mais do que eu."

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Rui Rio adiantou ainda que, do encontro de hoje, a partir das 17:00, da Comissão Política Nacional - órgão executivo do partido - sairá já o nome do coordenador do PSD para o dossier da descentralização. Desta reunião deverão também sair outros nomes para a coordenação sectorial do programa social-democrata. 

Mas os fundos europeus também são para tratar já. "O imediato é a questão do próximo quadro de apoio 2030. E nisso temos de andar rápido. O próprio Presidente da República também já chamou a atenção para isso", explicou Rui Rio aos jornalistas acrescentando. Até agora tem sido o recém-eleito vice-presidente Manuel Castro Almeida, ex-secretário de Estado do Desenvolvimento Regional de Passos Coelho, a ajudar Rio no tema dos fundos europeus.

Ao Negócios, Castro Almeida disse que "faz todo o sentido tentar o consenso nos fundos europeus e obras públicas". Rio anunciou que o PSD vai nomear interlocutores "para rapidamente o país chegar a uma posição o mais consensual possível perante a União Europeia". 

 

Segurança Social e justiça requerem mais tempo

Outras duas áreas em que Rio e Costa vão juntar esforços, sem esquecer o contributo das demais forças políticas, é nas reformas da Segurança Social e da justiça. Porém, estas exigem mais tempo e "não estão tão em cima da mesa", avisou o novo líder do PSD que, ainda assim, acredita ser possível ir já fazendo alguma coisa. Se na justiça não acontecerá "nada amanhã" é possível "dar os primeiros passos". 

No entanto e para evitar polémicas, Rui Rio assegura que "qualquer alteração" na Segurança Social é para garantir a sustentabilidade "daqui a 10, 20, 30 anos". Para Rio é preciso, "em face da evolução demográfica", acautelar o futuro da Segurança Social e "é essa resposta que eu entendo que os partidos deveriam tratar".

Rio considera que o diálogo é importante mas não chega, em especial "nas reformas estruturais [em que] as coisas são diferentes" porque "não basta" um clima de cooperação inter-partidário. Por isso defende ser preciso tempo para desenhar as reformas. 


Reunião com Costa foi "igualzinha" às do passado

O antigo autarca portuense disse que a reunião de hoje lhe "fez lembrar outras iguaizinhas que tivemos no passado", quando lideravam as duas maiores câmaras do país. Contudo, Rui Rio reconhece que o entendimento entre ambos era mais fácil quando eram edis do que agora que Costa lidera um Governo que segue uma "política mais encostada" à esquerda radical. 

Mas seja como for, Rio está satisfeito com a possibilidade de cooperação com o Governo e o PS, o que não significa que "não devamos envolver também os outros partidos". "Desde que não haja grandes diferenças, se pudermos colaborar em prol do pais é isso que devemos fazer", sustentou admitindo que lhe "será mais fácil negociar com o CDS do que com o Bloco de Esquerda".

Sobre a polémica relacionada com a escolha de Elina Fraga para vice-presidente da Comissão Política, numa altura em que está a ser investigada pelo Departamento de Investigação e Acção Penal, Rio rejeitou responder se mantém a confiança na ex-bastonária da Ordem dos Advogados. Mas anunciou que Fraga dará ainda hoje todas as explicações aos jornalistas a quem Rio pede que "façam todas as perguntas, não deixem nenhuma por fazer".

(Notícia actualizada pela última vez às 15:55)



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suiriri 20.02.2018

O PSD não é um partido Social Democrata. Compare-se com a Suecia que no passado se desenvolveu numa verdadeira Social Democracia e em Portugal os anos que o PDS governou com Cavaco Silva à cabeça, com outros primeiros ministros tendo-se assistido a privatizções e empobrecimento da população. Rui Rio não vai ser excepção. Quanto ao PS deve-se constituir como um verdadeiro partido socialista posicionado à esquerda e não voltar a um passado de compromissos com a direita tão nefasta a um desenvolvimento a pessar no cidadãos

Osié 20.02.2018

Cairão como folhas no Outono .Basta olhar para Espanha e ver os partidos novos que acabaram com os dinossauros .E assim será aqui e não é preciso muito dinheiro ,já tivemos aqui um ex com a ASDI que do nada conseguiu 19% . Um partido novo agor vai buscar 50% de votos e eles a xux.ar no dedo do Monhé

Osié 20.02.2018

O sistema está podre é preciso uma nova força politica que limpe o país e terá de ser implementada pelos justos que têm dado a cara na justiça e q são repudiados pelos políticos . CDS não conta ,PPD está desfeito,o PS está repartido e o Seguro quer vingança , PCP a desaparecer e Bloco idem

Anónimo 20.02.2018

A coligação do PS/PC/BE está a criar uma unidade política sólida que compara com os Democratas/Trabalhistas nos EUA e no Reino Unido. A Dr. Assunção Cristas é a única líder do Partido Republicano/Conservador. Está na hora de assumir esse papel e acabar com o PSD...

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