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Rogoff: Saída para a crise passa por reestruturação de dívida e inflação

Antigo economista-chefe do FMI diz que Governos e bancos centrais dos dois lados do Atlântico cometeram o erro de ajustar as suas políticas a cenários "excessivamente cor-de-rosa" sobre a evolução da economia. Mas a recessão está de volta: são agora precisas soluções "fora do quadrado".

Eva Gaspar egaspar@negocios.pt 09 de Agosto de 2011 às 10:46
“Quatro anos depois da crise financeira, começa a ficar crescentemente claro que o maior défice não é no crédito, mas na credibilidade”, acusa Kenenth Rogoff.

Bancos centrais e governos, nos Estados Unidos e na Zona Euro, sucederam-se em “meias-decisões” – vastos pacotes de estímulos orçamentais e monetários que foram, depois, cedo demais retirados – sustentadas na expectativa, mal fundada, de que a retoma estava ao virar da esquina. Fizeram-no, diz o economista, para evitar decisões “dolorosas” para lidar com o problema do sobreendividamento público e privado. Agora não há mais alternativa.

Num artigo de opinião publicado hoje no “Financial Times”, Kenneth Rogoff alinha-se com o que tem defendido Nouriel Roubini, e considera que a reestruturação da dívida tem de ser encarada de frente.

Nos Estados Unidos, a prioridade é aliviar a dívida (sobretudo hipotecária) das famílias, e compensar de seguida os bancos. No Zona Euro, é preciso reduzir a dívida dos Estados da periferia, dando, em contrapartida um poder “desproporcionado” à Alemanha numa união mais federal.

Os bancos centrais, por seu turno, devem estar preparados para uma política expansionista de longo fôlego e imprimir moeda, de modo a garantir liquidez no sistema financeiro e ao mesmo tempo apoiar o processo de desalavancagem (através da desvalorização das respectivas moedas e activos nelas denominados, em dólares e euros). Mesmo que o preço seja tolerar uma inflação na casa dos 4% a 6% “durante vários anos” – o dobro ou o triplo do hoje "tolerado" pelo BCE.

Rogoff admite que são soluções que chocam com a ortodoxia, mas frisa que a crise atingiu uma tal envergadura que é preciso pensar em "soluções fora do quadrado".

“Depois de uma longa série de meios passos e passos em falso, o leque de opções para os decisores políticos está cada vez mais estreito, mas ainda há ‘munições’ de reserva”, considera o também professor de Economia da Universidade de Harvard.

“Esquemas para anular dívidas, inflação temporariamente elevada e reformas estruturais de fundo [designadamente nas pensões de reforma e na comparticipação pública dos cuidados de saúde] ainda podem encurtar significativamente o longo período de baixo crescimento que normalmente se segue a crises financeiras”, considera.

O primeiro passo nesse sentido diz esperar vir da Fed, que inicia hoje a sua reunião mensal. A sua expectativa, é que a Reserva Federal norte-americana chegue à conclusão de que tem de agir "energicamente" sobre a economia e lance, desde já, um terceiro pacote de estímulos.


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