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Rui Rio: "Precisamos de um abanão forte no regime político"

O ex-presidente da Câmara do Porto lamenta que até a Presidência da República já seja uma instituição descredibilizada e aconselha o primeiro-ministro a "assumir o desígnio" da redução da despesa "com a mesma força" que ele teve como autarca, conferindo mandato para "descascar aquilo até ao osso".

António Larguesa alarguesa@negocios.pt 13 de Maio de 2014 às 12:21
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Antes - ou, na melhor das hipóteses, em paralelo - da discussão sobre a redução da despesa pública, Portugal precisa de dar "um abanão forte no regime", nomeadamente ao nível dos sistemas político e judicial, para "termos um poder político forte - porque credível", uma vez que, "se ignorarmos isto e passarmos [directamente] para o patamar económico, não podemos eliminar a pior despesa e acarinhar a melhor despesa", defendeu Rui Rio.

 

"O Estado Novo tinha 41 anos quando caiu de podre e este regime já tem 40. Não está podre, não basta dar-lhe um encontrão que ele cai, mas está profundamente desgastado. Para termos um Estado equilibrado necessitamos de reformas económicas, designadamente nas finanças públicas, mas devemos preparar a base sobre a qual tudo se monta", apontou durante uma conferência na Porto Business School.

 

O actual "partner" da Boyden vê os partidos políticos "desacreditados", vê "a qualidade das pessoas que desempenham cargos políticos a baixar", os problemas a ser "pior tratados e pior resolvidos". Em suma, "não há um contrato de confiança entre as pessoas e a política, que é vista como algo menor" e "sem fazermos reformas neste regime que restabelecem contrato de confiança" não vê condições para um Estado moderno e eficaz porque essa base tem impacto ao nível do comportamento económico.

 

E porque "a sociedade mudou muito em 40 anos e o regime não mudou nada" é que as instituições estão "fortemente descredibilizadas". Desde a Assembleia da República, onde ser deputado é hoje "desprestigiante", até ao Governo, afectando agora até a própria Presidência da República, assinalou o antigo dirigente do PSD.

O Estado Novo tinha 41 anos quando caiu de podre e este regime já tem 40. Não está podre, não basta dar-lhe um encontrão que ele cai, mas está profundamente desgastado
 
Rui Rio

 

Mandato para "descascar aquilo até ao osso"

 

Para reduzir a despesa pública, o chefe do Governo tem de assumi-lo como um "desígnio" e um "objectivo político inequívoco". "Não dá votos, mas é decisivo", assinalou, comparando o papel, a autonomia e a autoridade que teve como autarca durante 12 anos, com aqueles que tem um ministro, que se estiver lá quatro anos já é um caso raro e "pode sair no dia seguinte por força de uma machete de jornal", sublinhou Rui Rio.

 

"Como esperamos que um ministro que só com um recorde está lá quatro anos, não tem um poder de direcção geral como eu tinha e leva com uma pressão de carácter político maior do que um presidente de câmara, como estamos admirados que no final de tantos anos haja um tão grande conjunto de desperdício na estrutura?! Esse milagre só acontecerá no dia em que o primeiro-ministro assumir esse desígnio com a mesma força que eu assumi na Câmara do Porto. Um ministro sozinho não tem hipóteses de ir ao serviço e descascar aquilo até ao osso e depois montá-lo de uma forma racional", concluiu.

 

Rio sublinhou que um ministro que tenha a postura que ele teve, "a probabilidade de chegar a meio e não conseguir é elevada", pois é ao nível do primeiro-ministro que "tem que se assumir isso como objectivo político inequívoco" e deve ser nomeado um membro do governo com "muita força" para coordenar esse trabalho, a quem façam o reporte detalhado.

 

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