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Sadiq Khan pode tornar-se no primeiro mayor londrino muçulmano

Aos 45 anos de idade este inglês de origem paquistanesa pretende recuperar a câmara londrina para os trabalhistas e tornar-se, ele próprio, no primeiro muçulmano à frente dos destinos de Londres.

David Santiago dsantiago@negocios.pt 05 de Maio de 2016 às 15:03
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A multiétnica cidade de Londres poderá, pela primeira vez, passar a ser liderada por um muçulmano. O seu nome é Sadiq Aman Khan, ou Sadiq Khan, que aos 45 de idade se prepara para ser eleito presidente da câmara (mayor) de Londres. É pelo menos a indicação dada pelas sondagens mais recentes, que dão como quase certa a vitória do trabalhista Kahn sobre o candidato do Partido Conservador (Tories), Zac Goldsmith.

 

Aos 45 anos de idade, este filho de imigrantes paquistaneses pertencentes à classe trabalhadora e que chegaram ao Reino Unido nos anos 1940 - o pai foi condutor de autocarros e a mãe costureira - é advogado, deputado e foi ministro durante o Governo do Partido Trabalhista (Labour) liderado por Gordon Brown. Khan, casado com Saadiya Ahmed (na foto) desde 1994 e com dois filhos começou por se tornar conhecido pelo exercício de advocacia ligada a causas relacionadas com direitos humanos, designadamente em casos ligados a discriminação racial.

 

Agora, já durante a campanha, Sadiq Khan definiu como principal mensagem eleitoral a afirmação de Londres como uma cidade cosmopolita e orgulhosa pela sua diversidade étnica. Entre as promessas feitas, destaca-se a intenção de garantir habitação e transportes mais baratos. No entanto, apesar de a capital britânica ser conhecida por deter uma grande multiplicidade étnica, Londres, tal como o Reino Unido, vive momentos em que emergem problemas relacionados com identidade, imigração e integração.

 

E a questão racial acabou por assumir papel principal durante a campanha eleitoral para as eleições municipais que decorrem esta quinta-feira, 5 de Maio, no Reino Unido, chamada de "super quinta-feira". Numa entrevista ao New York Times, citada pela The Atlantic, Khan disse: "Sou londrino, sou europeu, sou britânico, sou inglês, tenho fé islâmica, de origem asiática, descendência paquistanesa, um pai, um marido".

 

Mas se Sadiq Khan quis atribuir um carácter de normalidade à sua ascendência, o curso da campanha eleitoral impediu que o facto de ser muçulmano pudesse não passar de uma mera característica étnico-religiosa. Para isso contribuíram as constantes acusações de anti-semitismo dirigidas a Khan, não só por parte do adversário Zac Goldsmith, que é judeu, mas também do próprio primeiro-ministro britânico, David Cameron.

 

Goldsmith, um defensor de causas ambientalistas que detém um background familiar distinto de Khan - filho de um banqueiro multimilionário da aristocracia britânica - trouxe para o combate eleitoral questões étnicas e religiosas, acusando em diversas ocasiões o candidato trabalhista de ser próximo de extremistas-islâmicos.

 

Também Cameron teve declarações polémicas quando, em Abril, no Parlamento britânico, disse que "estou preocupado com o candidato do Labour", afirmação que levou a oposição a chamar o primeiro-ministro inglês de "racista". É que Cameron acusou Khan de ter relações privilegiadas com extremistas-islâmicos, apontando o exemplo do imã Suliman Gani, que garantiu ser "apoiante do Estado Islâmico".

 

Confrontado pelos jornalistas, Khan respondeu às alegações de David Cameron e Zac Goldsmith dizendo considerar que "esta abordagem da política ao estilo de Donald Trump" não irá resultar em Londres. De acordo com as sondagens e a opinião de alguns analistas, a estratégia adoptada pelos tories de fazer do "racismo" o tema central da campanha não penalizou Khan e acabou por prejudicar Goldsmith.

Sendo que mais tarde, escreve a The Atlantic, depois das acusações feitas no Parlamento foi divulgada uma fotografia em que Ghani surge lado a lado com Goldsmith e foi noticiado que este imã apoiara um candidato torie no círculo em que Khan foi eleito deputado.

 

Brexit e liderança de Corbyn também em jogo

 

Nesta "super quinta-feira" em que são também eleitos os parlamentos da Escócia, Irlanda do Norte e País de Gales, ou ainda os presidentes das câmaras de Liverpool e Bristol, Londres assume particular relevância na medida em que se trata da grande metrópole britânica, a maior da União Europeia, uma das maiores à escala europeia e mesmo mundial.

 

Depois de ter perdido as legislativas de 2015 para os conservadores de Cameron, que alcançou uma inesperada maioria, os trabalhistas escolheram o "esquerdista" Jeremy Corbyn para liderar o partido e chegam a estas eleições municipais com o grande objectivo de recuperar a autarquia de Londres, nas mãos do conservador Boris Johnson desde 2008, quando impediu que o trabalhista Ken Livingstone fosse eleito para um terceiro mandato.

 

Sendo Khan um entusiasta da manutenção do Reino Unido na União Europeia, este elemento da ala moderada do Labour, um assumido social-democrata, tem sido uma das vozes mais ouvidas na campanha contra o Brexit. Pelo contrário, tanto Goldsmith como Boris Johnson são a favor do Brexit, sendo que o ainda mayor londrino é mesmo considerado o principal rosto da campanha favorável ao abandono da UE.

 

A considerada provável vitória de Sadiq Khan poderá ser um importante factor de afirmação de Londres enquanto cidade verdadeiramente cosmopolita, mas também um importante teste para o actual líder, Jeremy Corbyn, e ainda um primeiro barómetro eleitoral para o referendo sobre o Brexit, agendado para 23 de Junho.

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