Economia Salários na Função Pública: quem está a recuperar mais?

Salários na Função Pública: quem está a recuperar mais?

A redução dos cortes salariais e as excepções conquistadas por algumas carreiras ajudam a explicar a evolução dos vencimentos. Em ano de "recuperação de rendimentos", descubra que funcionários públicos estão a recuperar mais.
Salários na Função Pública: quem está a recuperar mais?
Miguel baltazar

Diplomatas, polícias, magistrados e dirigentes de topo estão entre os grupos profissionais da administração pública em que o vencimento médio mais aumenta, por esta ordem. E a redução dos cortes salariais não explica tudo.

Em causa está a evolução do vencimento bruto total – o chamado "ganho" – que além de salário base inclui outras prestações ou complementos. 

Segundo dados da Direcção-Geral da Administração e do Emprego Público, o vencimento total na administração pública foi de 1.623 euros em Janeiro, num aumento homólogo de 0,6%, só em parte explicado com a redução progressiva dos cortes salariais.

Mas este não é o único factor que pode influenciar a média em cada carreira ou categoria. A mera recomposição do perfil dos funcionários pode afectar este indicador. Por exemplo: se em determinada profissão saírem pessoas com salários mais altos para a reforma, sendo admitidas pessoas com salários mais baixos, a média pode cair, mesmo sem cortes salariais directos. A variação em suplementos remuneratórios ou em prestações variáveis, como horas extraordinárias, por exemplo, também afecta o ganho.

Entre os grupos profissionais que revelam o maior aumento homólogo no vencimento total médio estão alguns dos mais bem pagos da administração pública, como os diplomatas (4,1%), os magistrados (3%), os dirigentes superiores (3%) ou os docentes universitários (1,8%). Como os cortes salariais foram mais elevados para estas pessoas nos últimos anos, por serem progressivos, a reposição dos cortes também está a ser mais significativa. Mas também há surpresas:




É o caso dos polícias (PSP) que têm um vencimento total médio de 1.779,2 euros por mês, pouco acima da média, mas que apresentam o segundo maior aumento homólogo: mais 3,1% do que em Janeiro do ano passado.

Questionado, Paulo Rodrigues, da Associação Sindical dos Profissionais da Polícia (ASPP), explica que podem ter tido impacto as "promoções em vários postos na categoria de oficiais", com uma média de 300 euros, numa decisão que afectou cerca de 500 pessoas, e as promoções num outro grupo de cerca de mil profissionais, e o impacto do novo Estatuto, que "rectificou" os salários com uma subida média de cerca de 50 euros a perto de 10.000 pessoas.





O impacto também poderá ser positivo em grupos do Estado com profissionais que ganhem o salário mínimo, que em Janeiro aumentou de 505 euros para 535 euros brutos. De uma forma geral, quem ganha entre os 530 euros e os 1.500 euros não deve esperar actualizações este ano (nem nos próximos), porque as valorizações remuneratórias continuam genericamente proibidas.

As forças de segurança têm sido e continuam a ser uma das excepções à regra.




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