Europa Sánchez falha investidura, mas abstenção do Podemos dá-lhe esperança

Sánchez falha investidura, mas abstenção do Podemos dá-lhe esperança

O líder socialista fracassou a primeira tentativa de investidura como primeiro-ministro. Além dos votos dos deputados do PSOE, Pedro Sánchez recolheu apenas o apoio de mais um parlamentar. Apesar do fracasso esperado, abstenção do Unidas Podemos abre a porta a novas negociações e permite a Sánchez acalentar esperanças.
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David Santiago 23 de julho de 2019 às 13:49
Ainda não foi desta que Pedro Sánchez conseguiu ser investido como primeiro-ministro de Espanha. Na primeira de duas votações possíveis, o secretário-geral do PSOE recebeu 124 votos a favor (dos 123 deputados socialistas e do parlamentar do partido regionalista da Cantábria, PRC), 170 contra (PP, Cidadãos, Vox, JxCAT, Navarra Suma, Coligação Canária e ERC) e ainda 52 abstenções (Unidas Podemos, PNV, Bildu e Compromís). 

Esta foi a terceira tentativa falhada de investidura protagonizada pelo atual primeiro-ministro em funções, isto depois de ter chumbado nas duas votações realizadas na sequência das eleições gerais de dezembro de 2015.

Falhada esta primeira tentativa em que a investidura só é conseguida mediante apoio da maioria absoluta da câmara baixa do Congresso de Deputados espanhol (176 votos), segue-se uma segunda votação, a realizar 48 horas depois da primeira (será na quinta-feira a partir das 20:30 em Madrid), e em que basta uma maioria relativa (mais votos a favor do que contra) para o candidato a chefe de governo ser investido. 

Nem o maior dos otimistas esperaria que Pedro Sánchez fosse investido nesta primeira votação. Contudo, os resultados mostram que o líder socialista terá ainda muito a fazer - leia-se, que negociar - para finalmente ser eleito primeiro-ministro pelos seus pares.

É que os partidos necessários à investidura na segunda votação optaram pela abstenção, como é o caso do Unidas Podemos, dos nacionalistas bascos (PNV) e do valenciano Compromís, e sem estes Sánchez não será investido. Por outro lado, a abstenção, em particular da aliança de esquerda radical liderada por Pablo Iglesias, mantém a porta aberta a um entendimento que permita formar um governo de coligação entre PSOE e Unidas Podemos. Já um voto contra sinalizaria uma distância difícil de suprir em tão pouco tempo. 

Segundo fontes do Unidas Podemos citadas pelo El País, a opção pela abstenção e não pelo voto contra, como chegou a ser aventado depois do tenso debate de investidura desta segunda-feira entre Sánchez e Iglesias, foi "mais um gesto" destinado precisamente a "facilitar as negociações", que devem ser retomadas nas próximas horas.

"Vamos continuar a esperar pelo PSOE até ao último minuto para termos um governo [de coligação]", acrescentou uma fonte do partido de Iglesias, desta feita citada pelo El Mundo. O voto contra estava mesmo decidido e foi esse o sentido do voto da porta-voz do Podemos, Irene Montero, que votou antecipadamente e por via eletrónica por se encontrar em fase adiantada de gravidez. 

Jogo das cadeiras
Para alcançar um entendimento é necessário acordar a distribuição de ministérios entre elementos do PSOE e do Unidas Podemos. Sánchez começou por encetar esforços com vista à formação de um governo do PSOE assente no apoio parlamentar do Unidas Podemos e dos outros pequenos partidos nacionalistas e regionalistas com os quais, há um ano, derrubou o governo conservador de Mariano Rajoy e chegou à Moncloa, porém Iglesias rejeitou apoiar um executivo sem  fazer parte do mesmo

O líder do PSOE garantia não abdicar de um governo apenas dos socialistas para, já perto do debate de investidura de ontem, deixar cair essa intransigência e aceitar negociar nomes do Unidas Podemos para um governo de coligação, pese embora tenha, logo à partida, excluído a possibilidade de Iglesias ser ministro. 

Nesta fase a discussão entre as duas forças políticas passou a centrar-se nos ministérios que caberiam ao Unidas Podemos, com o PSOE a oferecer pastas consideradas menos relevantes e Pablo Iglesias a exigir ter condições para o Podemos deixar a sua marca na governação. No tenso debate desta segunda-feira, Iglesias rejeitava ser um "mero elemento decorativo" num executivo chefiado por Sánchez.

Entretanto, a vice-primeira-ministra e representante do PSOE nas negociações com o Podemos, Carmen Calvo, revelou aceitar que Irene Montero assuma uma das vice-presidências do executivo espanhol. Todavia, o Podemos considera insuficiente ficar apenas com este cargo para Montero e ministérios para as áreas da habitação, desporto e turismo.

Se Pedro Sánchez fracassar a segunda tentativa, em setembro pode repetir-se o debate de investidura, que inclui duas novas tentativas de investidura. No caso de falharem todas as tentativas, o parlamento é dissolvido e são convocadas novas eleições antecipadas que, a acontecerem serão as quartas em quatro anos.

(Notícia atualizada às 14:35)



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