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Em Espanha as negociações continuam sem governo à vista

A 20 de Dezembro, a ida dos espanhóis às urnas ditou o fim do bipartidarismo, mas abriu um período de incerteza política em Espanha. O PSOE, que teve o pior resultado de sempre, é a chave para qualquer solução governativa.

Reuters
Liliana Borges LilianaBorges@negocios.pt 28 de Dezembro de 2015 às 19:11
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Uma semana depois das eleições legislativas espanholas, a solução governativa ainda não é clara. Os socialistas espanhóis anunciaram esta segunda-feira, 28 de Dezembro, que recusam formar Governo com qualquer partido que apoie um referendo a propósito da independência da Catalunha. Durante o dia, o actual primeiro-ministro em funções, Mariano Rajoy, esteve reunido com os líderes de cada partido eleito para discutir soluções governativas, mas, pelas declarações à margem da reunião por parte dos líderes partidários, a resolução do impasse não parece fácil.

Pablo Iglesias, líder do Podemos garantiu a Rajoy, líder do PP, que não irá apoiar nenhum Governo formado pelo Partido Popular (PP), o partido mais votado nas últimas eleições. A afirmação surgiu depois de mais de uma hora de reunião com o primeiro-ministro.

Do encontro resultou a garantia de Iglesias de que não irá apoiar directa ou indirectamente (através da abstenção na votação no Parlamento) um Governo liderado por Rajoy, primeiro-ministro durante os últimos quatro anos, marcados por medidas de austeridade.

 

Mariano Rajoy esteve também reunido com o líder do Cidadãos, Albert Rivera. Rivera reiterou que o seu partido não irá apoiar um Governo liderado por Rajoy, não afastando no entanto a possibilidade de apoiar o PP caso Rajoy se afaste da liderança do partido. Em cima da mesa está também a possibilidade de o Cidadãos se abster durante a votação para aprovação do Executivo no Parlamento, o que poderá permitir a Rajoy formar um Governo minoritário se outros partidos tomarem a mesma posição. 

Por enquanto, no Twitter, Rivera assume-se como um líder da "oposição responsável".


Seja qual for a solução, a chave parece estar nas mãos de Pedro Sánchez, secretário-geral do PSOE. Caso Rajoy não consiga formar Governo, Sánchez irá reunir-se com os restantes partidos para tentar formar Executivo. No entanto, a tarefa também não se advinha fácil, desde logo porque o partido recusa coligar-se com "partidos que defendam um referendo na Catalunha", como é o caso do Podemos de Pablo Iglesias. 

"Não vamos discutir questões sobre a integridade territorial do país", sublinhou Sánchez. "Não iremos formar Governo a qualquer custo", garantiu. 
Esta posição surge depois de o líder do PSOE ter estado reunido no Comité Federal do partido que contou com a presença (e influência) de Susana Diáz, presidente da Andaluzia que ajudou a eleger o secretário-geral do PSOE em Julho e que agora é também apontada como uma alternativa a Sánchez, face aos piores resultados legislativos de sempre do partido nas últimas eleições. 


Além disso, uma possível coligação entre o PSOE e o Podemos também não parece fácil, uma vez que o secretário-geral do Podemos qualificou a conversa com o líder do PSOE, no passado dia 24 de Dezembro, como "altamente decepcionante", acrescentando ainda não ter recebido do PSOE qualquer proposta. Não obstante, num período que é de negociações, caso o Podemos esteja disposto a deixar cair o referendo da independência da Catalunha, as probabilidades de um acordo aumentam significativamente, uma vez que Iglesias sublinhou que o Podemos está "aberto a qualquer possibilidade que permita que o PP não governe" mais quatro anos, cita a Reuters.

Ainda assim, para conseguir um acordo maioritário, o PSOE e o Podemos necessitam do apoio dos pequenos partidos regionais e soberanistas, a quem será mais difícil deixar cair a ideia de uma reforma constitucional no sentido de maior soberania para as regiões autonómicas.


Em Janeiro, o rei de Espanha, Filipe VI, irá reunir-se com os líderes de cada partido com representação parlamentar e indigitar um primeiro-ministro

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