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Schäuble apela a Portugal para evitar novo resgate

O ministro das Finanças alemão defende que a pressão dos programas de assistência financeira na Europa "funcionou bem". O ministro das Finanças português destaca as "boas notícias" na economia portuguesa.

1 de Março – Schäuble em entrevista a um jornal alemão

“Não queremos um 'Grexit'. Somos solidários, mas não extorsionários. Ninguém forçou a Grécia ao programa de ajuda. Por isso, está totalmente nas mãos do Governo de Atenas. Seria bom que o Governo grego não falasse de modo que nos seja difícil convencer os nossos cidadãos”.
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Wolfgang Schäuble voltou esta quarta-feira, 15 de Março, a falar sobre a situação financeira de Portugal, deixando um alerta para o país, de modo a evitar ter que recorrer a um novo resgate.


"O meu alerta para Portugal é: certifiquem-se que não será necessário um novo programa" de assistência financeira, disse o ministro alemão numa conferência em Berlim, citado pela Bloomberg.

Neste evento, Schäuble defendeu os programas de ajustamento implementados em vários países do euro, considerando que estes ajudaram no regresso ao crescimento económico e à constituição de finanças públicas mais sólidas, mostrando que a pressão dos programas "funcionou bem".

O meu alerta para Portugal é: certifiquem-se que não será necessário um novo programa Wolfgang Schaüble, a 15 de Março de 2017


Em Junho: Portugal arrisca segundo resgate se não cumprir as regras europeias

menos de um ano Schäuble lançou afirmações mais fortes sobre a necessidade de Portugal ter que recorrer a um segundo resgate. Em Junho de 2016 o ministro alemão afirmou que o país arriscava um segundo resgate se não cumprisse as regras europeias.

 

"Os portugueses não querem [um segundo resgate], e também não precisarão dele se cumprirem as regras europeias". Mas "têm de cumprir as regras europeias, caso contrário enfrentarão dificuldades", disse o ministro no ano passado, em declarações que foram alvo de fortes criticas em Portugal, sobretudo por parte do Governo, que chegou a anunciar um protesto formal em Berlim.

As declarações efectuadas esta quarta-feira parecem mais suaves, mas as que foram citadas pela Bloomberg soam a aviso para que o Governo de António Costa continue a tomar medidas para evitar a necessidade de Portugal ter que recorrer a um novo programa de assistência financeira.

 

Portugueses têm de cumprir as regras europeias, caso contrário enfrentarão dificuldades WOLFGANG SCHAÜBLE, A 29 DE junho DE 2016

Em Outubro: Portugal ia no bom caminho até mudar de Governo

 

Depois destas declarações efectuadas em Junho do ano passado, o ministro alemão voltou a pronunciar-se sobre Portugal e de novo com palavras desfavoráveis para o Governo de António Costa. Disse em Outubro de 2016 que "Portugal vinha tendo muito sucesso até [à chegada de] um novo Governo".  

 

"As coisas estão a acontecer da forma para a qual eu alertei o meu colega português [Mário Centeno] porque eu disse-lhe que se seguissem esse caminho iriam correr um grande risco e eu não correria esse risco", disse Schäuble em Outubro, também declarações reproduzidas pela Bloomberg. 

Portugal vinha tendo muito sucesso até [à chegada de] um novo Governo WOLFGANG SCHAÜBLE, A 26 DE Outubro DE 2016

Depois destas declarações efectuadas em Junho e Outubro do ano passado, foram divulgados dados económicos favoráveis para Portugal, com a aceleração do crescimento económico a permitir um crescimento do PIB de 2% no último trimestre do ano, a taxa de desemprego a descer para valores próximos dos 10% e o Governo a assegurar que o défice do ano passado não ficará acima de 2,1%. A Comissão Europeia já anunciou que Portugal está a caminho de sair do Procedimento dos Défices Excessivos (PDE).

Em sentido contrário, a dívida pública atingiu um novo recorde e superou os 130% do PIB no final do ano passado. E aumentaram os problemas no sector financeiro, sendo que o Estado português vai injectar 2,5 mil milhões de euros na recapitalização da Caixa Geral de Depósitos e a venda do Novo Banco não está ainda concluída.

As taxas de juro das obrigações do Tesouro a 10 anos têm negociado em torno de 4% e a dívida portuguesa continua a ser classificada no nível de "lixo" por parte das três maiores agências de rating. Esta quarta-feira Portugal emitiu dívida de curto prazo com as taxas negativas mais baixas de sempre.

Centeno destaca "boas notícias"

 


Centeno destaca crescimento do emprego e redução de juros na emissão de dívida
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O ministro das Finanças, Mário Centeno, destacou hoje que o emprego em Portugal cresceu mais do dobro do que o verificado na zona euro e congratulou-se com a redução de juros na emissão de dívida de curto prazo desta manhã.

Ainda antes da declaração de Schäuble, o ministro das Finanças, Mário Centeno, aproveitou esta quarta-feira uma audição sobre o impacto da redução do horário das Função Pública para as 35 horas para destacar o que considerou ser um "conjunto de boas notícias" económicas.

 

O ministro das Finanças referia-se ao ritmo de criação de emprego, ao nível dos juros na emissão da colocação de dívida desta quarta-feira, à evolução das exportações e das receitas turísticas em Janeiro.

 

 "Em Portugal o emprego cresceu mais do dobro do que área da zona euro. E é a inversão do deslaçar do tecido social que existia em Portugal", afirmou. E "hoje mesmo acabámos numa colocação de dívida ter uma taxa de juro ainda mais negativa. Trata-se de "um conjunto de boas notícias que reflecte as decisões que o Governo toma, e elas são no sentido de crescimento e de aumento da sustentabilidade do crescimento económico, financeiro e social".

 

Mais tarde, Mário Centeno referiu ainda o aumento das exportações de receitas turísticas em Janeiro, um mês que teve mais dias úteis do que período homólogo.

Sobre o impacto propriamente dito da reposição do horário para as 35 horas, o debate pouco acrescentou ao que o Governo já tinha revelado no relatório de impacto sobre o assunto

 

Sublinhando que a decisão foi precedida de uma análise detalhada, o ministro das Finanças não deixou de criticar as revelações feitas pela líder do CDS, Assunção Cristas, em entrevista ao Público. "A banca não era discutida no Conselho de Ministros. Não tenho a certeza se a decisão [de aumento para] as 40 horas foi".

 

(Notícia actualizada pela última vez às 13:21, com declarações de Mário centeno)

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