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Schulz deixa o Parlamento Europeu para desafiar Merkel na Alemanha

O presidente do Parlamento Europeu, o social-democrata Martin Schulz, vai deixar o cargo para se lançar na política alemã e se candidatar contra a chanceler Angela Merkel nas legislativas de 2017.

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Negócios com Lusa 24 de Novembro de 2016 às 08:47
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Martin Schulz, até aqui presidente do Parlamento Europeu, não vai recandidatar-se à liderança desta instituição europeia para apostar numa corrida às legislativas alemãs agendadas para o próximo ano. "Não irei concorrer para presidente do Parlamento Europeu no próximo ano, irei candidatar-me ao Bundestag alemão como cabeça de lista do meu partido, o SPD, pela Renânia do Norte-Vestfália", declarou na manhã desta quinta-feira, 24 de Novembro, o político alemão antes de reconhecer que esta "não foi uma decisão fácil". 

Schulz aposta assim numas eleições que se antecipam difíceis para o SPD, partido júnior da coligação governamental germânica liderada pela chanceler Angela Merkel, tendo em conta que a CDU continua à frente nas sondagens e que o partido de extrema-direita Alternativa para a Alemanha (AfD) surge cada vez mais forte nos estudos de opinião. 


No Parlamento Europeu desde 1994, Schulz foi o líder da bancada do PSE (Partido Socialista Europeu) entre 2004 e 2012, ano que foi eleito líder do plenário europeu. Mesmo assim Martin Schulz afiança que continuará a esforçar-se em prol do projecto europeu, embora a partir do nível nacional até porque a Alemanha detém uma "especial responsabilidade" no âmbito da União Europeia. 

Nesta altura especula-se nos meios alemães e internacionais qual será a futura função do agora anunciado candidato ao Bundestag (Parlamento alemão) pelo SPD. Já foi avançada a possibilidade de Schulz substituir o ainda ministro germânico dos Negócios Estrangeiros, Frank-Walter Steinmeier, avançado pela revista Der Spiegel como forte candidato a presidente da Alemanha.  

Contudo oSPD só decidirá em Janeiro quem será o rival directo deMerkel. O líder do partido e vice-primeiro-ministro,Sigmar Gabriel, surge fragilizado após não ter conseguido travar a tendência de perda de preponderância doSPD no quadro partidário alemão, sendo queSchulz e também o actual presidente da câmara de Hamburgo, Olaf Scholz, surgem como fortes possibilidades.Schulz foi um dos dirigentes europeus que mais abertamente criticou a forma como Bruxelas eAngelaMerkel geriram a chamada crise das dívidas soberanas. Merkel oficializou no passado domingo a sua candidatura a um quarto mandato como chanceler.


Porém esta decisão abre uma outra discussão, no caso em torno da sucessão a Schulz na presidência do Parlamento Europeu. Tendo em conta que o PPE (Partido Popular Europeu) é o maior grupo no Parlamento Europeu é grande a hipótese de ser um elemento deste partido a suceder ao socialista alemão. Isto numa altura em que as outras duas principais instituições europeias, a Comissão Europeia e o Conselho Europeu, já são lideradas por Jean-Claude Juncker e Donald Tsuk, respectivamente. 

A este respeito, o eurodeputado socialista Carlos Zorrinho afirmou esta manhã, citado pela agência Lusa, que "se o próximo presidente do Parlamento Europeu sair da bancada do PPE, terá que haver uma reorganização" das outras duas instituições. Sobre Schulz, Zorrinho considerou tratar-se do "melhor presidente que o Parlamento Europeu teve, em termos de poder e de capacidade no quadro das relações institucionais".

(notícia actualizada com declarações de Schulz em conferência de imprensa)

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