Economia Catroga: “Se dependesse exclusivamente da reforma, estava muito preocupado”

Catroga: “Se dependesse exclusivamente da reforma, estava muito preocupado”

O antigo ministro das Finanças diz que é preciso acabar com a situação de instabilidade em que pensionistas e funcionários públicos vivem, sem saberem com o que podem contar. Quanto a si, não está preocupado, porque sempre ganhou "muito bem" no sector privado.
Catroga: “Se dependesse exclusivamente da reforma, estava muito preocupado”
Miguel Baltazar/Negócios
Rita Faria 02 de abril de 2014 às 17:03

Eduardo Catroga defendeu, esta quarta-feira, 2 de Abril, que o País tem de controlar os níveis da despesa pública nos próximos anos, o que poderá implicar cortes definitivos nas pensões e nos salários da Função Pública.

 

Num almoço do American Club, em Lisboa, o antigo ministro das Finanças explicou que o País “não aguenta uma despesa pública superior a 75 mil milhões de euros” nos próximos dez anos, o que “significa que temos de ajustar”. “Temos de voltar ao nível de despesa pública que tínhamos em 2006”, acrescentou.

 

“Eu indigno-me com o corte das pensões e sobretudo com os cortes que não têm em conta as carreiras contributivas de cada um, mas ainda não vi ninguém, nenhum partido, sindicato, associação empresarial, apresentar alternativas de como vamos ajustar o total da despesa ao total da receita”, referiu.

 

O actual presidente do Conselho Geral e de Supervisão da EDP sublinha que o maior problema “é a instabilidade”, porque os pensionistas não sabem com o que podem contar. “Sou partidário de que haja decisões, seja revisão da tabela salarial da Função Pública, seja racionalização dos suplementos remuneratórios”, frisou.

 

Quanto a si, garante que, ao fim de 41 anos de contribuições, não sabe, hoje em dia, qual é a sua pensão de reforma. “Hoje não estou preocupado com a minha reforma porque fui dos privilegiados que tive uma grande carreira profissional e ganhei muito bem no sector privado, e por isso, tenho outras fontes de rendimento. Mas se dependesse exclusivamente da reforma estava muito preocupado”, assegurou.

 

Eduardo Catroga considera que, a 40 anos do 25 de Abril, o que Portugal precisa é de “uma reforma do sistema político”, que deve começar pela revisão da Constituição. “Não podemos ter uma constituição muito diferente da dos outros países europeus e que impeça a racionalização do Estado”, explicou. 




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