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Secretária de Estado do Tesouro: "As reformas já estão a ter efeito" em Portugal

Isabel Castelo Branco defendeu em Nova Iorque que as reformas estruturais feitas em Portugal "já estão a ter efeito."

Miguel Baltazar/Negócios
Lusa 20 de Maio de 2014 às 00:01
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"Portugal está a seguir um caminho. As reformas já estão a ter efeito. Começamos a ver que o círculo vicioso se está a tornar num ciclo virtuoso", disse Isabel Castelo Branco na segunda-feira, num debate de alto nível sobre os recentes desenvolvimentos económicos do mercado europeu.

 

No painel com o tema "Perspectiva de líderes de mercado europeus e americanos", participaram também o presidente do Commercial Banking, William Connelly, o presidente da Pirelli - América do Norte, Paolo Ferrari, e o presidente da Galp Energia, Manuel Ferreira de Oliveira.

 

"Houve um período em que os mercados não sabiam o que esperar. Quando perceberam que o euro estava aqui para ficar e que havia uma inflexão nas políticas de crescimento, essa situação mudou", explicou a secretária de Estado.

 

A responsável disse que "o maior desafio [para Portugal] é agora tornar a sua economia mais flexível, ao nível do trabalho, dos tribunais, do licenciamento". "Tudo o que tenha a ver com a economia em funcionamento." "Portugal fez um bom trabalho, muito bom para explicar as reformas às pessoas e fazê-las assimilar essas mudanças, mas ainda há um trabalho por fazer", admitiu.

 

A secretária de Estado, que participa em diversas reuniões com responsáveis dos mercados financeiros nesta viagem, diz que há um trabalho de esclarecimento a fazer junto dos investidores. "Há muita informação a circular, muitas coisas a acontecer, precisamos de ter a certeza de que os investidores estão a perceber o que está a acontecer", disse.

 

Questionada sobre os compradores de dívida pública portuguesa, a secretária de Estado disse que tem notado diferenças nas últimas emissões de divida. "No caso de Portugal, não tivemos tantos investidores internos como noutros países [durante a crise]. A nossa situação foi diferente. Mas o que estamos a ver é o regresso de vários tipos de investidores e uma diversificação através de continentes e países", explicou a responsável.

 

Quanto à situação das empresas europeias, o presidente da Galp Energia, Manuel Ferreira de Oliveira, garantiu que a companhia "não tem problemas de financiamento." "Não tivemos esses problemas, mas esse não é o caso para muitas empresas, sobretudo na zona do mediterrâneo, e isso precisa de ser resolvido", disse Ferreira de Oliveira.

 

O gestor acredita que a Europa "fez um grande esforço para resolver os problemas do sector bancário, mas ainda não mostrou essa vontade para resolver a doença do seu mercado energético."

 

A conferência faz parte da programação dos "Pan European Days", uma iniciativa da Bolsa Portuguesa (NYSE Euronext) e do Millennium BCP, em que participam empresas do PSI20 (principal índice da Bolsa de Lisboa) e vários representantes do Estado português, a par de outros representantes das bolsas de França, Bélgica e Holanda.

 

Entre hoje e quarta-feira, Nova Iorque é palco de dezenas de reuniões entre 13 empresas do PSI20 e 67 investidores norte-americanos. Além da secretária de Estado do Tesouro, Isabel Castelo Branco, também está presente o presidente da Agência de Gestão da Tesouraria e da DÍvida Pública (IGCP), João Moreira Rato.

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