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Sector do turismo cauteloso apesar de números positivos lembrarem melhor dos anos

Os números do sector do turismo têm revelado este ano crescimentos significativos, que podem vir a ser comparados com 2007, o melhor dos anos, mas diversos responsáveis associativos preferem mostrar cautela face às perspectivas até Dezembro.

Miguel Baltazar/Negócios
Lusa 11 de Agosto de 2013 às 13:46
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Entre Janeiro e Maio deste ano as receitas do turismo cresceram 7,9% para 2,950 mil milhões de euros, segundo dados disponibilizados pelo Banco de Portugal no mês passado, o que leva a presidente da comissão executiva da Confederação do Turismo Português (CTP), Adília Lisboa, a declarar que o “ano está a correr muito bem” para o sector, podendo vir a ser comparado com 2007, ano considerado marcante para o meio.

 

No que toca às dormidas, números do Instituto Nacional de Estatística (INE), novamente apenas para os primeiros cinco meses do ano, apontam para um crescimento de 4,3% em termos homólogos face a 2012, para um total de 13,277 milhões, enquanto os proveitos subiram 3,4% para 598 milhões de euros.

 

“São números bons, mas devemos ser lúcidos em relação a eles. Continua a haver um problema de preço, os hotéis conseguiram resolver o problema de ocupação, mas fizeram cedências importantes no preço”, afirmou à Lusa o presidente da Associação Portuguesa das Agências de Viagem e Turismo (APAVT), Pedro Costa Ferreira, que realçou que a única coisa que dá por adquirida "é que este ano vai ser melhor do que o ano passado e o ano passado tinha sido melhor do que o anterior".

 

Na mesma senda caminha o presidente da Associação da Hotelaria de Portugal (AHP), Luís Veiga, que salienta a necessidade de “ser realista”, já que “depois do Verão a realidade é confrangedora”, lembrando que Portugal perdeu visitantes na última década e que só agora parece estar a recuperá-los.

 

Por seu lado, o consultor Sérgio Palma Brito, antigo director-geral da CTP que publica regularmente análises sobre o sector num blogue homónimo, lamentou que não haja “procura qualificada e exigente de quantificação do turismo, por parte de Governo, administração, iniciativa privada, universidades e opinião pública”, algo que só pode mudar “por ímpeto político do Ministério da Economia”.

 

O saldo entre as receitas e as despesas do sector cresceu 10,1% entre Janeiro e Maio deste ano para os 1,674 mil milhões de euros, segundo o Banco de Portugal.

 

“O comportamento tem sido bom, as taxas de ocupação têm subido consideravelmente e estamos a falar do Algarve onde temos, sobretudo nos quatro e cinco estrelas, uma ocupação histórica”, afirmou Adília Lisboa da CTP.

 

Pedro Costa Ferreira ressalva: “Portugal está bem ocupado, mas está barato”.

 

Ainda esta semana, a Associação dos Hotéis e Empreendimentos Turísticos do Algarve (AHETA) revelou que a taxa de ocupação média por quarto na hotelaria algarvia cresceu para 81,6% em Julho, uma subida face aos 78,7% homólogos de 2012.

 

O presidente da AHETA, Elidérico Viegas, reconheceu à Lusa que “as receitas não acompanham o aumento das taxas de ocupação”, mas destacou que “o aumentar das taxas de ocupação é o primeiro desígnio para passar a gerir a política de preços”.

 

O responsável do Turismo do Algarve, Desidério Silva, concorda: “O futuro não passará pelo esmagamento de preços, passará pela relação qualidade-valor”.

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