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Seixas da Costa aposta nos serviços de informação para combater o terrorismo

Para o embaixador a "integração falhada" de comunidades minoritárias e a "situação económico-social" são os factores que favorecem o surgimento de actos terroristas no seio da Europa.

Miguel Baltazar/Negócios
David Santiago dsantiago@negocios.pt 22 de Março de 2016 às 18:18
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Os atentados desta terça-feira, 22 de Março, em Bruxelas terão sido perpetrados porque na capital belga e na sua zona circundante, tal como acontece em Paris, existe uma concentração de muçulmanos de segunda e terceira geração "que agora se radicalizaram", diz o embaixador Francisco Seixas da Costa.

 

Em declarações ao Negócios, o diplomata desvaloriza a "centralidade geográfica e política da Europa" que garante ser "indiferente a este tipo de situações", preferindo apontar duas causas essenciais que contribuem para que o terrorismo de teor jihadista executado na Europa seja executado por cidadãos nascidos no Velho Continente.

 

A "integração falhada" e uma "situação económico-social que favorece um sentimento de não-pertença à comunidade que os viu nascer" são os elementos apontados por Seixas da Costa para explicar a "erupção de comunidades que são sementes de violência transfronteiriça".

 

Para o antigo embaixador português no Brasil (2005-2009) houve também "alguma ingenuidade dos serviços secretos" que não souberam antecipar o "desespero" que resultaria da "descoberta da rede" terrorista. "O cerco [à célula terrorista] desencadeou o explodir de algo que estava prestes a revelar-se", resume Seixas da Costa recordando a detenção, feita na semana passada, de Salah Abdeslam, um dos alegados cérebros dos múltiplos ataques terroristas simultâneos que tiveram lugar em Paris no passado mês de Novembro.

 

Apesar de este diplomata não acreditar muito "que a política externa da União Europeia, se é que ela existe, possa obter um papel relevante nesta matéria", garante que "é preciso criar uma comunidade europeia de informações".

 

Seixas da Costa aposta numa melhor gestão e partilha de informações por parte dos serviços de informação como crucial para colmatar a actual "falta de prevenção e capacidade de previsão". Olhando para Portugal, o embaixador alerta para a ineficiência dos serviços secretos portugueses, o que faz com que nos arrisquemos a "acordar com alguma surpresa".

 

Isto porque Seixas da Costa considera que existe uma "partidarização e luta de poder entre ritos organizados" nos serviços de informação portugueses, o que prejudica a troca de informações com outras organizações e serviços internacionais dado que "os serviços estrangeiros não confiam em organizações atravessadas por dentro por lutas de poder".

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